Cofrinho coletivo

Foto: divulgação

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Sites de crowdfunding estão virando febre para realização de projetos independentes.

Jantando com dois amigos na casa de carnes Smith &Wollensky, em Nova York, fui apresentado a um tema até então desconhecido por mim: crowdfunding (uma espécie de financiamento coletivo). Entre garfadas e goles, fui digerindo com crescente interesse o que esses dois amigos diziam a respeito da “próxima febre especulativa dos Estados Unidos”.

Em abril de 2012, o presidente americano Barack Obama assinou o JOBS Act (Jumpstart Our Business Startups Act), uma lei determinando novas modalidades de financiamento de empresas. Não dá para resumir seu conteúdo aqui, mas destaco dois aspectos fundamentais: primeiro, o fim da proibição, vigente desde 1993, de se anunciar publicamente que se está levantando capital para algum negócio; e segundo, a definição do crowdfunding como nova modalidade de investimento.

Em um estudo recente do Banco Mundial sobre crowdfunding em diversos países do mundo, incluindo os Brics, foram destacados 17 websites de crowdfunding no Brasil, 4 na Rússia, 53 na França, 87 no Reino Unido e 344 nos Estados Unidos, entre outros países. No link http://www.infodev.org/infodev-files/wb_crowdfundingreport-v12.pdf, é possível acessar o relatório do estudo.

Há duas formas básicas de crowdfunding: doação ou investimento. A primeira tem servido para se pedir dinheiro via internet em prol de causas sociais, projetos artísticos, educacionais etc. Em alguns casos, o doador é até recompensado com algum presente, tipo bonezinho, chaveiro etc. Já o “investment crowdfund” tem sido usado para financiar startups e pequenos negócios, seja mediante venda de cotas do negócio ou empréstimo a juros. 

Há um ano, havia poucas menções ao tema na imprensa internacional. Hoje em dia, está virando bola da vez, ao menos na comunidade ligada ao financiamento de startups. Aliás, é irônico que eu tenha tomado conhecimento do assunto num restaurante frequentado pela nata de Wall Street, pois o crowdfunding promete abalar grandes interesses justamente lá.

No Brasil e na Rússia, embora já haja gente se mexendo para aproveitar essa onda, a grande imprensa e a política ainda não deram a devida prioridade ao tema. E espero que o artigo tenha justicado o título apelativo, algo necessário nos tempos atuais.  

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