Em Moscou, Temer cita reformas para atrair investimento

Temer e Pútin tiveram encontro informal no primeiro dia; reunião bilateral acontece nesta quarta

Temer e Pútin tiveram encontro informal no primeiro dia; reunião bilateral acontece nesta quarta

Kremlin.ru
No primeiro dia de visita oficial à Rússia, presidente Michel Temer destacou medidas de desburocratização para atrair capital estrangeiro. Questionado sobre investigações e crise política no Brasil, governante desqualificou evidências: “desprezíveis e desprezáveis”.

O presidente Michel Temer chegou a Moscou nesta terça-feira (20) com o objetivo de passar uma imagem positiva da economia brasileira e atrair investimento estrangeiro, além de obter apoio internacional em meio à grave crise política no Brasil.

Temer começou sua agenda na capital russa com um discurso no Fórum Empresarial Brasil-Rússia, diante de empresários russos e brasileiros e altos representantes do Kremlin.

Em sua fala, o presidente mencionou a agenda de reformas planejadas no Brasil que, segundo ele, irão facilitar os processos de privatização e a participação de capital estrangeiro no país, e ressaltou a cooperação planejada entre os parlamentos russo e brasileiro.

“Nós estamos tratando agora da integração do Parlamento russo com o brasileiro, mas sempre fazendo uma espécie de diplomacia parlamentar. Por sugestão do senhor presidente da Duma (Câmara dos deputados na Rússia), vamos ampliar essa relação parlamentar para os blocos de natureza econômica”, disse Temer.

Temer: “Venho a Moscou com a confiança de quem vê o Brasil deixando para trás a mais aguda crise da nossa história e venho com a certeza de que a Rússia já é uma grande parceira na retomada do nosso crescimento” (Foto: Dayanna Alvarenga)Temer: “Venho a Moscou com a confiança de quem vê o Brasil deixando para trás a mais aguda crise da nossa história e venho com a certeza de que a Rússia já é uma grande parceira na retomada do nosso crescimento” (Foto: Dayanna Alvarenga)

O presidente falou sobre a luta contra o desemprego e a intensificação das bases de crescimento econômico no Brasil, além de medidas para a facilitação da participação do capital estrangeiro na economia brasileira, que inclui um acordo para evitar dupla tributação.

“Estamos facilitando, desburocratizando vários setores da administração pública. Estamos também garantindo e assegurando a mais absoluta segurança jurídica para que empresas estrangeiras e nacionais firmem seus contratos de investimentos no nosso país”, disse.

Entre as medidas, Temer citou o modelo de concessões e privatizações que engloba dezenas de projetos de infraestrutura e exploração de petróleo e de minérios. “Quem quiser ganhar hoje, investe no Brasil; a nova lei aprovada dá o direito de escolher onde explorar, ou seja,  removemos as barreiras legais que dificultavam investimentos estrangeiros.”

“Queremos que as empresas russas estejam cada vez mais presentes no Brasil, e nosso mercado consumidor é grande e diversificado”, continuou.

Antes de concluir o discurso, o presidente citou como pontos positivos para potenciais investidores a queda da inflação registrada nos últimos meses e o crescimento de 1% da econômico Brasil no primeiro trimestre de 2017, após dois anos de retração.

Na noite desta terça, Temer visitou o Teatro Bolshoi acompanhado de seu homólogo russo, Vladímir Pútin. De acordo com a programação, ambos irão se reunir novamente nesta quarta-feira (21), no Kremlin, para assinar acordos de cooperações, sobretudo na esfera comercial, e debater a possibilidade de aproximação entre o Mercosul e a União Eurasiática.

Primeiro dia de visita oficial terminou com espetáculo no Bolshoi (Foto: kremlin.ru)Primeiro dia de visita oficial terminou com espetáculo no Bolshoi (Foto: kremlin.ru)

Crise política no Brasil

A viagem de Temer à Rússia acontece em meio a investigações de corrupção passiva pelo presidente, e pouco tempo depois do escândalo da carne fraca, que colocou em risco as exportações de carne do país, inclusive para a Rússia (terceiro maior consumidor do produto brasileiro).

Sobre esse assunto, o presidente disse a repórteres que irá apresentar nesta quarta, na reunião com Pútin, a gratidão do governo brasileiro a Moscou, por não alterar os volumes de compra de carne suína e de frango após o escândalo. “O que quero agora é incentivar a importação de corte”, disse.

Em seu discurso, por sua vez, Temer evitou falar sobre a grave crise politica que o Planalto enfrenta – referindo-se às supostas evidências como “desprezíveis e desprezáveis”  e aproveitou para reforçar sua segurança sobre as perspectivas no país.

“Quando fazemos as reuniões aqui na Rússia, em Moscou, percebemos que esse encontro pode promover novas descobertas, novos negócios, novos investimentos, portanto, vamos juntos escrever a cooperação econômica entre os dois países, que ajudará na properidade do Brasil.”

No que diz respeito às investigações e à derrota que sofreu nesta terça, com a rejeição da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, o governante disse se tratar de um fato “muito natural”. 

“Ganhar numa comissão e perder na outra, o que importa é no Plenário. (....) Agora vai para o Plenário, que vai decidir, e lá o governo vai ganhar.”

Temer seguirá sua agenda internacional na quinta-feira (22), quando viajará para Oslo, na Noruega, como parte da estratégia de fortalecimento da imagem do Brasil e de seu governo.

Temer agradecerá a Pútin por apoio no escândalo da carne (Foto: kremlin.ru)Temer agradecerá a Pútin por apoio no escândalo da carne (Foto: kremlin.ru)

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