São Paulo recebe ‘Ocupação Russa’

Fachada principal da Biblioteca Mário de Andrade, na Consolação

Fachada principal da Biblioteca Mário de Andrade, na Consolação

Lucas Salles(Dornicke)/wikipedia.org
De oficina de xadrez a lançamentos de livros, são quase duas semanas recheadas de eventos ligados ao país. Neste ano, tradutor Boris Schnaiderman é homenageado.

Tem de performance a oficina de xadrez, passando por exibição de filmes, debates e lançamentos de livros. Até dia 20 de agosto, a Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, abriga a Ocupação Russa, constituída de diversos eventos culturais, sempre com entrada franca.

O evento foi aberto na quinta-feira (4) com uma homenagem a Boris Schnaiderman – uma espécie de “pai fundador” da tradução de literatura russa no Brasil, falecido em maio, aos 99 anos. 

Tudo começou há seis anos, quando a Associação Cultural Grupo Volga de Folclore Russo iniciou, na Biblioteca Mário de Andrade, um ciclo de “Dias da Língua e Cultura Russa”, devido à comemoração, pelo governo da Rússia, do “Ano da Língua Russa”.

“A receptividade do público da Biblioteca fez com que esses dias se tornassem uma tradição, sendo que a cada ano um escritor russo era homenageado”, conta Vera Gers, da Associação Cultural Grupo Volga de Folclore Russo.

“Além da divulgação da língua e cultura, o objetivo era desmistificar a Rússia para os brasileiros e quebrar estereótipos, ou seja, derrubar as barreiras do senso comum. Sempre buscamos aproximar as duas culturas e mostrar que ambas possuem inúmeras afinidades."

“A Rússia não ficou congelada no tempo, nem sua cultura, sua arte, sua cinematografia”, diz a editora da Kinoruss Edições e Cultura, Neide Jallageas.

“Queremos demonstrar um pouco disso, que há muito mais do que a mídia hegemônica demonstra."

Ligada à área de cinema, Jallageas montou a programação de filmes exibidos no evento a partir dos acervos da Embaixada Russa e do CPC-Umes.

Assim, integrou várias fases e estilos do cinema russo, desde os mais festejados - como “Outubro”, de Eisenstein -  até outros populares, como “Moscou não acredita em lágrimas”, chegando até “Arca Russa”, de Sokúrov.

“Isso para demonstrar, de certa maneira, que o cinema russo não é apenas o que foi produzido nas vanguardas, nem depois existiu apenas Tarkóvski”, explica.

“A produção é vasta, há uma riqueza, uma profusão de realizações que não tem fim. Ainda bem!”

Ela ainda participa, no dia 13, às 20h, da performance “Cárcere Oscuro”, que propõe um diálogo entre a cultura russa e a brasileira, com a leitura de textos de Svetlana Aleksiévitch, Serguêi Eisenstein, Óssip Mandesltam e Luiz Roberto Salinas Fortes.

A atividade é complementada, em seguida, pela mesa-redonda “Repressão e violência na Rússia e no Brasil”, com Ricardo Lísias, Bruno Gomide, Hugo Fortes, Síssi Fonseca e Neide Jallageas.

O escritor Ricardo Lísias conta que vai comentar especificamente o livro “Retrato Calado”, de Luiz Roberto Salinas Fortes (1937-1987), relacionado à sua pesquisa de pós-doutorado.

“Vou mostrar a importância dele para a literatura de testemunho no Brasil, sobretudo no que diz respeito à constituição de um narrador marcadamente resistente à naturalização da tortura, da repressão e da violência."

Na véspera, dia 12, às 19h30, o editor Cide Piquet presta mais uma homenagem a Boris Schnaiderman e, em seguida, às 20h, media o bate-papo “Ler Chalámov, traduzir Chalámov”, com os tradutores e pesquisadores  Andrea Zeppini, Daniela Mountian, Francisco de Araújo e Lucas Simone, marcando o lançamento, pela Editora 34, dos volumes 2 e 3 dos “Contos de Kolimá”, impressionantes relatos dos campos de trabalho soviéticos pelo escritor Varlam Chalámov (1907-1982).

A Editora 34 lança ainda, no dia 20, às 16h, “Uma História Desagradável”, de Dostoiévski, com bate-papo com a tradutora Priscila Nascimento Marques.

A Ocupação é promovida pela Associação Cultural Grupo Volga de Folclore Russo e a Kinoruss Edições e Cultura – com apoio da Embaixada da Federação da Rússia no Brasil e Consulado da Federação da Rússia em São Paulo, CPC – UMES – Filmes, Editora 34, União Cultural pela Amizade dos Povos, Clube de Cultura Russa e Grupo de Teatro “Três Laranjas”.

A programação completa da Ocupação Russa na Biblioteca Mário de Andrade está disponível em bma.art.br.

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