“Telegram virou alternativa oficial para WhatsApp no Brasil”, diz consultor

Marzola é líder no segmento latino-americano de transformação digital da consultoria Spencer Stuart

Marzola é líder no segmento latino-americano de transformação digital da consultoria Spencer Stuart

New Retail
Em primeira visita a Moscou, Marcelo Marzola, especialista em tecnologia, mídia e telecomunicações, oferece visão brasileira dos negócios na Rússia e compara atual cenário com o Brasil, além de tecer tendências para o varejo eletrônico em entrevista à revista on-line New Retail.

Marcelo, como você está se sentindo na Rússia? 

Marcelo Marzola: Estou aqui pela primeira vez e gostando muito. E você não vai acreditar, aqui é muito parecido com o Rio de Janeiro.

Que tipos de semelhanças? Em termos de negócios?

Se falarmos sobre o desenvolvimento das tecnologias e da transformação digital, a Rússia e o Brasil possuem características semelhantes em termos de barreiras que as empresas precisam superar. A primeira barreira desse tipo é a necessidade de mudar a mentalidade das pessoas que trabalham para sua empresa. Outra barreira está relacionada com o preparo das empresas para riscos. Como fazer com que os colaboradores se sintam mais confortáveis em um ambiente que costuma trazer surpresas. As mesmas coisas acontecem lá no Brasil.

Como avaliaria os negócios russos na área de tecnologia digital?

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que, na Rússia, são produzidas muitas inovações. Na esfera digital, o Brasil é mais focado em tecnologia proveniente do exterior, em vez de olhar para o que é criado dentro do país. Na Rússia, pelo contrário, as inovações próprias são muito aplicadas. Aqui também há uma infinidade de ativos digitais comparáveis a seus equivalentes internacionais. Por exemplo, há um aplicativo de troca de mensagem mundialmente conhecido, e para ele existe um equivalente russo – o Telegram.

No Brasil, o Telegram tornou-se a alternativa oficial para o WhatsApp. Atualmente, o nosso governo está pressionando bastante o WhatsApp, devido ao fato de que um grande número de conluios criminosos são realizados por meio desse serviço de mensagens. E, por isso, poucos dias atrás [20 de julho – N. do E.], as autoridades suspenderam o funcionamento do WhatsApp no Brasil, de modo que o Telegram praticamente o substituiu nessa ocasião.

Que semelhanças e diferenças você identifica em relação ao comércio on-line nos dois países?

No Brasil, atualmente, muitas empresas estão buscando uma forma de aperfeiçoar a tecnologia que elas utilizam em e-commerce, isto é, aproveitar ao máximo tecnologias promissoras e interessantes. No entanto, existem barreiras que não podem ser contornadas nem mesmo pela mais avançada empresa de comércio eletrônico. Por exemplo, a logística. A sua empresa pode ter o site mais legal e eficiente, pode ter os melhores e super-rápidos aplicativos móveis, mas, quando um cliente solicita entrega em uma região de difícil acesso da Amazônia, no Brasil, ou no extremo norte da Rússia, não há nada a fazer. A logística não pode ser driblada.

No que diz respeito à população, também existe uma série de características semelhantes que estão presentes tanto na Rússia como no Brasil. Temos aproximadamente as mesmas proporções de representantes da classe média e da população com renda abaixo da média. Aspectos ligados à educação e ao treinamento de pessoas são relevantes tanto para o Brasil, como para a Rússia. Por exemplo, quando projetamos a interface de um aplicativo móvel para nossos compradores, devemos focá-lo em pessoas com elevadas habilidades cognitivas, que receberam educação universitária. Mas, ao mesmo tempo, ele também deve ser adequado às pessoas que não tiveram essa oportunidade, pessoas que não receberam formação superior.

Existe uma tendência, como a que se observa na Rússia, do off-line para o on-line?

Sim, de fato, existe essa tendência. Especialmente agora, quando os varejistas estão fechando as suas lojas físicas e confiando mais em seu segmento on-line, porque uma grande parte das vendas está se transferindo para lá. Isso também está relacionado com o fato de que o comprador está se tornando cada vez mais exigente, ou seja, o cliente quer realizar a compra quando ele tiver vontade – a qualquer hora do dia ou da noite. 

Pubilcado originalmente pela revista on-line New Retail.

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