Rosatom abre escritório no Rio

A cooperação russo-brasileira no setor nuclear é regida por um acordo intergovernamental sobre a utilização pacífica da energia nuclear assinado em 15 de setembro de 1994.

A cooperação russo-brasileira no setor nuclear é regida por um acordo intergovernamental sobre a utilização pacífica da energia nuclear assinado em 15 de setembro de 1994.

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Cidade passou a ser sede da companhia na América Latina. Estatal também organizou exposição para apresentar tecnologias.

Por meio de sua estatal Rosatom, a Rússia tem expressado cada vez mais interesse em participar dos planos brasileiros para o desenvolvimento de energia nuclear em longo prazo, que incluem a construção de quatro usinas atômicas até 2030.                        

“O fato de a Rosatom poder participar dessa licitação mostra que o Brasil está buscando o que há de mais moderno no campo da tecnologia nuclear”, afirma o especialista em energia atômica Aleksandr Uvarov.

Leonam Guimarãesdiretor de planejamento da Eletronuclear

"A Rosatom é líder mundial no setor nuclear, e a presença no Brasil de um player tão importante fortalecerá ainda mais a cooperação entre os dois países na utilização pacífica da energia nuclear.”

No final de junho, representantes da indústria nuclear russa ministraram um seminário no Rio de Janeiro para apresentar as tecnologias que o país quer trazer ao Brasil.        

Tecnologia viva

Com o seminário, desembarcou também na cidade uma exposição para materializar o novo formato de usina nuclear de terceira geração proposto pela companhia russa.

No sistema proposto para produção energética, mesmo que o mecanismo de arrefecimento da água falhe por um longo período, a usina poderia cancelar o processo de fissão nuclear e remover o calor residual com segurança.

“Os testes de fadiga pós-Fukushima demonstraram que o projeto russo suporta uma diversidade de tipos de desastres”, explica Uvarov.

Entre as tecnologias apresentadas para a construção de plantas complexas, esteve o sistema gerencial Multi-D, que permite a realização de simulações tridimensionais detalhadas dos procedimentos de construção, instalação e montagem.

O Multi-D otimiza muitos aspectos na fase anterior à construção de uma usina, configurando diferentes cenários e possibilitando alterações para potencializá-los. O uso do sistema permite reduzir o tempo de concepção e construção de centrais nucleares, diminuindo custos.

Recepção positiva

As apresentações incitaram o interesse brasileiro quanto às tecnologias radioativas da Rússia.

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de dólares é em quanto estavam avaliadas as encomendas estrangeiras da Rosatom no início de 2015, o melhor indicador entre companhias do setor no mundo inteiro.

“As tecnologias radioativas fornecem ao Brasil soluções em medicina nuclear, agricultura, dessalinização e tratamento de água”, afirmou o presidente da Abdan (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares), Antonio Müller.

A cooperação entre os dois países no setor se estabeleceu já em 2014, quando a Rosatom Isotope assinou um acordo com a Comissão Nacional de Energia Atômica do Brasil (CNEN) para fornecimento de isótopos médicos Molibdênio-99, usados no tratamento de câncer.

Sede latino-americana

As perspectivas da estatal no país sul-americano foram brindadas pelo cônsul-geral russo no Rio de Janeiro, Andrêi Budaev. O diplomata esteve presente ao seminário, celebrando também a abertura de um escritório da estatal na cidade. A “Rosatom América Latina” passa a ser a sede dacompanhia russa no continente.

“A Rosatom América Latina trará um novo impulso à cooperação bilateral e poderá levar, em um futuro próximo, à assinatura de diversos contratos vantajosos para ambos os lados”, disse Budaev.

Histórico antigo e atual

A cooperação russo-brasileira no setor nuclear é regida por um acordo intergovernamental sobre a utilização pacífica da energia nuclear assinado em 15 de setembro de 1994.

Em 2014, a estatal assinou com a empreiteira Camargo Corrêa um memorando de cooperação para a construção de usinas nucleares no Brasil, assim como instalações para armazenamento de combustível nuclear inutilizável.

A Rosatom anunciou diversas vezes considerar a América Latina como um mercado prioritário.

“A presença no Brasil de empresas russas, líderes mundiais em energia atômica, é de fundamental importância, já que isso fortalecerá ainda mais a cooperação entre os dois países na utilização pacífica da energia nuclear”, afirma Leonam Guimarães, diretor de planejamento da Eletronuclear, operadora da usina de Angra.

Para ele, porém, o preço será fator decisivo para a construção de novas usinas nucleares.

Segundo Müller, o desenvolvimento do setor poderia impulsionar o crescimento econômico do país.

 

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