Gelo do lago Vostok pode possuir propriedades especiais

Foto: SCIENCE PHOTO LIBRARY / East News

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Gelo do lago antigo Vostok, na Antártida, pode possuir propriedades físicas especiais, completamente diferentes das propriedades do gelo comum, contou o chefe do centro de logística da Expedição Antártica Russa, Viacheslav Martianov.

No início de fevereiro de 2012, especialistas da equipe de perfuração da 57 Expedição Antártica Russa, após décadas de perfurações, penetraram pela primeira vez no lago Vostok, maior lago subglacial na Antártida, oculto sob uma cobertura de gelo antártico de quatro quilômetros de espessura.

Análises das primeiras amostras mostraram que a água do Vostok praticamente não contêm microorganismos.

Novas perfurações do poço foram iniciadas nos primeiros dias de 2013 e o gelo novo foi alcançado pelos perfuradores a uma profundidade de 3.383 metros. Em 10 de janeiro, foi recebida a primeira amostra, de uma profundidade de 3.406 metros, de gelo transparente do lago.

"No início retiramos do poço um gelo completamente desconhecido para nós, opaco, poroso, de cor branca brilhante. Naturalmente, todas as amostras para a composição de isótopos e microbiologia foram imediatamente tomadas. Mas após 20 metros apareceu um gelo transparente, dentro do qual ‘congelou’ um canal de gelo branco. A formação de gelo nessas condições, com uma pressão grande no poço, ainda não foi estudada fisicamente”, disse o chefe do centro de logística da expedição, Viacheslav Martianov.

Martianov observou que o gelo da sondagem pode ter características físicas especiais, que são completamente diferentes do gelo comum. Mas, segundo ele, isso ainda tem de ser provado.

Em nenhum laboratório do mundo, no entanto, é possível criar todas as condições como as resultantes das sondagens da calota de quatro quilômetros de espessura do gelo antártico, frisou Martianov.

"Em teoria, ninguém podia prever como seria o gelo encontrado na perfuração. Por enquanto podemos apenas descrever os fatos. Quando as amostras coletadas chegarem ao continente, os cientistas irão se ocupar com os estudos, formarão teorias e poderão dizer algo definitivo”, disse Martianov.

Todas as amostras serão levadas para São Petersburgo em maio deste ano a bordo do navio da expedição, o Akademik Fiódorov.

 

Publicado originalmente pela agência RIA Nóvosti

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