Corporação de foguetes fecha contrato com Roskosmos para projeto de laboratório orbital

Trata-se de um laboratório espacial multimissão capaz de operar em órbita em regime autônomo e se atracar periodicamente à ISS (Estação Espacial Internacional, na sigla em inglês) para a manutenção de equipamento científico, reabastecimento e outros fins.

A Corporação de Foguetes Espaciais Enérguia (RKK Enérguia) fechou um contrato com a Agência Espacial Russa (Roskosmos) no valor de 350  milhões de rublos (cerca de R$ 23 milhões) para desenvolver o projeto conceitual de um laboratório orbital, o OKA-T-ISS.

Trata-se de um laboratório espacial multimissão capaz de operar em órbita em regime autônomo e se atracar periodicamente à ISS (Estação Espacial Internacional, na sigla em inglês) para a manutenção de equipamento científico, reabastecimento e outros fins.

O peso total de equipamentos científicos, que serão instalados dentro do módulo e em sua superfície exterior, será de cerca de 850 kg. Acredita-se que o laboratório irá realizar pesquisas fundamentais e aplicadas na área de ciência dos materiais, física de plasma, biologia e medicina.

O laboratório será composto por um compartimento pressurizado, com uma câmara de despressurização, e docas de atracagem de espaçonaves. O OKA pode operar em regime autônomo por 90 a 180 dias, podendo depois se atracar à ISS.  

O segmento russo da ISS também está se alargando. Atualmente, ele inclui cinco módulos: o auxiliar Zvezda, o de carga Zaria (formalmente de propriedade dos EUA por ter sido construído com o dinheiro americano), o compartimento de docagem de espaçonaves Pirs e os módulos de pesquisa menor Poisk e Rasvet.

Em meados de dezembro, o Centro Khrunichev finalizou os trabalhos de montagem do módulo de laboratório multimissão Nauka (Ciência) e o enviou para testes na RKK Enérguia. O lançamento do módulo pelo foguete Proton está previsto para março de 2014. O peso do módulo no momento do lançamento será de 20,3 toneladas e o de equipamentos científicos, de cerca de três toneladas.

O módulo Nauka, que será atracado ao módulo Zvezda, leva o braço robótico europeu (ERA, na sigla em inglês) e é destinado a armazenar cargas, manter parcialmente as funções de suporte de vida, dirigir a ISS por meio de motores instalados no adaptador pressurizado de atracação, conceder sua doca de atracagem para a atracação de cargueiros e módulos de pesquisa, transfundir o combustível do cargueiro Progress para o módulo auxiliar Zvezda e realizar várias outras missões.

Com a ajuda de uma câmara de despressurização instalada em uma das docas laterais do módulo e do ERA, será possível transportar o equipamento e materiais do bloco presssurizado da ISS para sua superfície exterior sem a participação humana fora do veículo. O módulo Nauka terá um banheiro e três postos de trabalho para astronautas.

Além disso, a Roskosmos abriu uma licitação para a criação de um módulo científico-energético com uma vida útil não inferior a 17 anos, dos quais dois serão para a preparação para o lançamento. Os outros 15 constituem a vida útil do módulo como parte do segmento russo da ISS.

No início da operação, as baterias solares do módulo devem gerar anualmente pelo menos 18 kilowatts de energia elétrica em média.

O módulo irá alojar equipamento médico, aparelhos de ginástica e meios de prevenção de fatores adversos do voo espacial, além de outras instalações e unidades.

Estação própria

A Rússia também poderá ter sua própria estação orbital. Em discurso no Salão Internacional de Aeronáutica e Espaço de Farnborough em julho do ano passado, o presidente da Roskosmos, Vladímir Popovkin, disse que a companhia está desenvolvendo uma série de novos módulos para a ISS.

“Eles poderiam ser usados como blocos básicos para a próxima geração de estações tripuladas. Se não chegarmos a um acordo sobre a continuação da cooperação internacional no âmbito desse projeto, esses módulos podem ser utilizados à parte e constituir uma estação orbital russa", disse Popovkin.

Segundo o Popovkin, por recomendação da Rússia, os países envolvidos no projeto de ISS criaram um grupo de trabalho para decidir o futuro da estação. De acordo com os resultados das negociações preliminares, os países parceiros pretendem prorrogar a vida da ISS em órbita até 2020. Depois, a estação será possivelmente retirada da órbita e afundada.

"A discussão prossegue. Há propostas de construir pequenas estações orbitais para a execução de missões específicas em órbita circunterrestre ou de colocar uma estação espacial internacional nos pontos de equilíbrio entre a Lua e a Terra ou do outro lado da Lua", disse.

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