Brics está entre as maiores prioridades russas, diz secretário do Conselho de Segurança

Foto: PTI Photo/Kamal Singh

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Os responsáveis pela segurança nacional dos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) se reuniram em Nova Déli, capital da Índia, para falar sobre o combate ao terrorismo internacional, pirataria e cibercrime.

O desenvolvimento da cooperação dentro do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) é uma das principais vertentes da política externa da Rússia, disse à imprensa na última quinta-feira (10) o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Pátruchev, após uma reunião com seus colegas do grupo responsáveis pela segurança nacional de seus países, em Nova Déli.  

"O Brics é um símbolo de um mundo multipolar e um instrumento eficaz de seu desenvolvimento", completou.

Essa foi a primeira reunião do gênero não vinculada à agenda de uma cúpula do Brics. As reuniões anteriores foram sempre feitas durante encontros dos líderes dos países do grupo, salientou a agência de notícias “RIA Nóvosti”.

No centro das atenções estiveram questões da agenda internacional, a situação no Oriente Médio e do norte da África e a segurança da informação.

De acordo com Pátruchev, os participantes da reunião foram unânimes quanto à necessidade de coordenar ações não só dentro do grupo, mas também em outros fóruns internacionais, inclusive a ONU.

Segundo Pátruchev, os líderes dos países do Brics defendem a criação de mecanismos internacionais para coibir tentativas de divulgar via internet métodos de atividades terroristas e outras atividades criminosas.

"O livre acesso à informação não deve ser limitado. Mas se você divulga a desinformação e exorta a um crime, deve responder criminalmente por isso", disse o delegado russo.

“Como primeiro passo nesse sentido, os chefes de Estado do Brics poderiam aprovar uma declaração conjunta sobre a segurança da informação a nível internacional. Com o tempo, essa declaração poderia virar um acordo oficial.”

Em 2012, Rússia e China se pronunciaram a favor de uma reforma substancial do sistema de controle da internet. Para Pátruchev, o atual sistema de regulação do ciberespaço por empresas americanas privadas está desatualizado e é incapaz de vencer os desafios apresentados pela web moderna.

A Rússia propôs conceder à ONU e à ITU (International Telecommucation Union, na sigla em inglês) poderes para regular a web, assim como permitir aos países decidir sozinhos sobre os aspectos técnicos das comunicações em seus territórios nacionais.

Terrorismo e pirataria

Dentre outros temas abordados na reunião estiveram o combate ao terrorismo internacional e à pirataria.

"Estamos preocupados com os atos de pirataria marítima contra embarcações mercantes e a tomada de tripulantes de nacionalidade russa como reféns", disse Pátruchev.

Para Pátruchev, a impunidade e os padrões de vida extremamente baixos são os principais fatores que levam os somalis e, recentemente, habitantes de outros países do Oeste Africano a praticar a pirataria.

Segundo o representante russo, a comunidade internacional só tem lidado com a ponta do iceberg, ou seja, os "soldados rasos".

"O desafio é identificar os organizadores reais e pessoas jurídicas interessadas nesse negócio criminoso", disse Pátruchev, citado pelo “Rossiskaia Gazeta”.

O representante russo também disse que, na opinião do Brics, a situação no mundo está mudando para pior.

"Os sistemas econômico e político globais estão mudando diante de nossos olhos. Eles são extremamente dinâmicos e, infelizmente, estão mudando para pior. A crise econômica global gerou problemas que necessitam ser solucionados", disse.

Na reunião, foi dito que há todas as razões para que o Brics se torne a locomotiva da economia mundial, disse Pátruchev.

A próxima reunião sobre a problemática da segurança será realizada em março, na África do Sul, dentro da cúpula do Brics, segundo informou a “RIA Nóvosti”.

 

Reportagem combinada com materiais dos veículos RIA Nóvosti, Rossiskaia Gazeta e Vzgliad

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