Região de Iakútia quer se tornar destino turístico

Foto: Reuters / Vostock Photo

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República federada da Rússia tem tudo para ser um dos destinos turísticos mais cobiçados do país: frio siberiano, vodca quente, tira-gostos congelados, carne de cavalo assada e outras excentricidades

Maior região da Rússia em extensão territorial (com uma área de três milhões de quilômetros quadrados, o equivalente a cinco Franças) e uma das menores do país em população (menos de um milhão de habitantes), a República da Iakútia (república federada da Rússia no nordeste da Sibéria) é conhecida por suas temperaturas pouco agradáveis no inverno, quando os termômetros marcam congelantes -50Cº.

Mas a região, principalmente sua capital, Iakutsk, tem mais a oferecer.

Entre as atrações estão o festival anual chamado "O Inverno começa na Iakútia". As duas maiores atrações do evento são o encontro entre o Ded Moroz (Avô Gelo, Papai Noel russo) e o Chis Khaan (personagem de contos de fadas locais responsável por trazer o inverno
à Iakútia) e o Festival de Peixe.

O Chis Khaan é fruto da adaptação de lendas locais sobre o “Touro de Inverno” aos padrões europeus. Como resultado, surgiu um avô barbudo com um tampão com chifres enormes, muito parecido com o sensei do filme “Kill Bill”, de Quentin Tarantino.

O personagem mora em uma caverna, onde, no inverno e no verão, a temperatura é sempre mantida na faixa de - 7ºC. No interior, há uma coleção de esculturas de gelo, entre as quais réplicas da Vênus de Milo, Guernica, de Picasso, e de obras da pintora buriata Dacha Namdakova, e um bar de gelo, uma atração local, embora instalações semelhantes existam em Moscou.

A diferença é que aqui ele está em seu ambiente natural. No bar, vodca e champanhe são servidas em copos esculpidos em gelo e acompanhados por tira-gostos de peixe cru, congelado logo após ter sido capturado. As fatias de peixe são servidas com sal e pimenta e são ótimos para acompanhar a vodca.

Os iakutas quase não comem a carne suína e não gostam de carne de frango, dando preferência à carne de rena, bovina e de cavalo, um dos principais produtos da dieta local.

Festival do Peixe

O Festival de Peixe começa com um concurso de esculturas feitas com fatias de peixe congelado –a última composição escultórica vencedora representava um mamute, um dos símbolos não-oficiais da região.


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Em seguida, equipes de duas pessoas, um homem e uma mulher, competem entre si para ver quem prepara primeiro um peixe congelado para ser servido. Enquanto o homem fatia o peixe, a mulher amontoa as fatias em forma de torre em uma bandeja especial.

O júri composto por pescadores reputados, consumidores e representantes das autoridades municipais avalia não só a rapidez com que as equipes preparam o peixe mas também as esculturas servidas nas bandejas.

Ao lado, uma feira oferece facas, vestidos, chapéus e luvas de couro de peixe, assim como toucas de crina de cavalo, além de uma grande variedade de peixes. Os intervalos entre os concursos são preenchidos por grupos de dança folclórica locais e desfiles de casacos de pele.

O traje festivo tradicional das mulheres locais é muito bonito. Normalmente largamente decorado com peças de prata, tem um peso total de cerca de 17 kg. No dia-a-dia, os iakutas usam botas de pele de rena, às vezes decoradas com miçangas.

Destino

Os planos das autoridades locais de transformar a região em um destino turístico popular  esbarram, entretanto, no fato de ela também ser um grande centro científico e industrial, que concentra vários institutos de pesquisa, inclusive o de estudos do permafrost, uma universidade federal, indústrias de petróleo, gás, diamantes, ouro e urânio.

Iakutsk é conhecida por construir arranha-céus sobre estacas no permafrost, além de ter um dos melhores programas do país de apoio a pessoas com deficiência. Até prédios de poucos andares possuem elevadores para cadeiras de rodas e quase todos os edifícios administrativos têm rampas de acesso. Iakutsk é uma cidade urbana, por mais que as autoridades locais tentem apresentá-la como aldeia histórica.

Mas os planos da liderança regional têm lógica. Os praticantes de “turismo industrial” não são muito numerosos e nenhum deles terá a permissão para visitar uma mina de urânio ou uma fábrica de lapidação de diamantes. Já os amantes das viagens exóticas são muito mais numerosos e estão sendo esperados de braços abertos na região. 

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