Rússia lança novo submarino nuclear

Foto: RIA Nóvosti

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Batizado com o nome do duque Iúri Dolgorúki, fundador de Moscou, o equipamento leva a bordo 16 mísseis estratégicos Bulavá-30 (SS-NM-30, na classificação da Otan) munidos de seis a dez ogivas nucleares múltiplas guiadas individualmente.

A Marinha russa realizou nesta quinta-feira (10) o lançamento oficial do primeiro cruzador porta-mísseis submarino da classe Borei, parte do projeto 955. A cerimônia contou com a presença do ministro da Defesa, Serguêi Shoigu.

Batizado com o nome do duque Iúri Dolgorúki, fundador de Moscou, o equipamento leva a bordo 16 mísseis estratégicos Bulavá-30 (SS-NM-30, na classificação da Otan) munidos de seis a dez ogivas nucleares múltiplas guiadas individualmente.

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Outros dois submarinos da mesma classe, o Vladímir Monomakh e o Aleksandr Nevski, foram lançados à água para a instalação de maquinaria e equipamentos enquanto o quatro, o Duque Vladímir (anteriormente Sviatitel Nikolai), começará a ser construído em breve.

Este último terá um casco um pouco mais alongado para alojar 20 mísseis Bulavá-30. Assim, nos próximos três a quatro anos, a Marinha russa será reforçada com quatro submarinos estratégicos, que levarão, no total, 68 mísseis nucleares a bordo.

Em 2020, a Rússia terá a serviço de sua Marinha oito submarinos do projeto Borei, com 148 mísseis Bulavá a bordo, além dos submarinos estratégicos 667BDR Kalmar (Delta III, na classificação ocidental) e 667BDRM Delfin (Delta IV).

De acordo com o comandante-geral da Marinha da Rússia, almirante Víktor Chirkov, esses navios, assim como os submarinos nucleares do projeto 885M Iasen (o primeiro submarino nuclear desse tipo, o Severodvinsk, deve entrar em serviço em 2013), submarinos modernizados do projeto 949M, da classe Granit (a que pertencia o submarino naufragado Kursk), e submarinos nucleares porta-mísseis do projeto 11442 Orlan (como o Petr Veliki, principal navio da esquadra submarina da Frota do Norte da Rússia) irão constituir a base da Força de Dissuasão Nuclear da Rússia.

"Porta-aviões de nova geração e o navio-doca de fabricação estrangeira irão constituir a base da força de superfície da Marinha russa", disse o comandante.

Para o almirante, ao contrário dos cruzadores porta-aviões anteriores, um porta-aviões de nova geração deve ser um navio universal de grande porte completamente novo e ter como principal arma veículos tripulados e não tripulados (robotizados) capazes de atuar no espaço aéreo, no mar, debaixo de água e, provavelmente, no espaço.

Um grupo-tarefa desses navios deve possuir aviões de reconhecimento e guiamento por radar, assim como aeronaves de reconhecimento e combate não tripuladas.

Segundo o comandante, a ideia é criar grupos-tarefa de porta-aviões que englobem, além de navios, infraestruturas terrestres, inclusive estabelecimentos sociais, veículos aéreos, centro de treinamento de tripulações de navios e de aeronaves e outros elementos.

"A base para a criação de grupos-tarefa de porta-aviões deve ser criada até 2020", disse o almirante.

Outros elementos

Outros elementos importantes da força de superfície da Marinha serão fragatas e corvetas dos projetos 22 350, 20 380 e suas versões modificadas. Alguns navios desse tipo estão atualmente em construção nos estaleiros de São Petersburgo e Kaliningrado.

Segundo Chirkov, em uma perspectiva de longo prazo, o principal navio oceânico da Marinha russa será um contratorpedeiro de nova geração dotado de um grande potencial de ataque e defesa e de um poderoso sistema de defesa antimíssil.

O primeiro navio a adotar os novos padrões será uma corveta de navegação costeira de nova geração.

"O desenvolvimento desse navio já está em andamento. Ele irá executar um conjunto inteiro de missões confiadas atualmente a outros navios, como luta anti-submarina, operações anti-minas, de apoio de fogo ao desembarque de tropas e forças terrestres em áreas costeiras", disse o almirante.

Para Chirkov, esse projeto é visto como transição a navios modulares de porte maior. No futuro, a experiência de aplicação de robótica e construção de navios modulares será estendida a outros navios.

O almirante não descarta que, após 2020, a Marinha precise de veículos submarinos autônomos não tripulados e sistemas marítimos robotizados, assim como de equipamento de fundo especial que seja transportado e instalado por veículos submarinos.  

Na segunda fase (entre 2021 e 2030), prevê-se a adoção de armas baseadas em novos princípios físicos e o desenvolvimento de protótipos de armas de nova geração para as forças navais, disse o almirante. Ao mesmo tempo, a aviação naval receberá aviões de bordo de vigilância radar, veículos aéreos de bordo não tripulados e um complexo aéreo promissor de aviação naval.

Para o comandante da Marinha russa, "esse período será marcado pela transição à aviação opcionalmente tripulada, que será criada a partir, inclusive, de sistemas aéreos tripulados existentes e a substituição das aeronaves obsoletas por aviões mulitmissão de nova geração e veículos aéreos não tripulados.”

É difícil dizer o que acontecerá no período posterior a 2020 e se a indústria de construção naval nacional será capaz de cumprir as metas traçadas. Enquanto isso, é bom ver que o governo russo compreende a necessidade do país ter uma marinha poderosa e eficiente. Isso permite ter a esperança de que as perspectivas traçadas pelo almirante Víktor Chirkov não sejam uma mera fantasia.

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