Presidente de braço russo de gigante cervejeira fala sobre dificuldades do mercado no país

Foto: PhotoXPress

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“O aumento da carga tributária e da pressão administrativa sobre a indústria cervejeira russa resultaram na redução da produção”, diz Stuart MacFarlane.

O presidente da empresa SUN InBev, Stuart MacFarlane, expôs, em entrevista à agência de notícias “RIA Nóvosti”, sua visão dos problemas da indústria cervejeira russa.

A SUN Inbev é o braço russo do maior consórcio mundial de cerveja, a Anheuser-Busch InBev, e representa no país uma série de cervejas locais e marcas de cerveja internacionalmente conhecidas, como Brahma e Stella Artois.

RIA Nóvosti:Alguns especialistas prevêem a estagnação do mercado de cerveja russo devido ao aumento da regulação do setor. Qual é sua opinião?

Stuart MacFarlane: Em todo o mundo, as regras de regulação aplicadas à  cerveja e às bebidas alcóolicas são diferentes e buscam reduzir o consumo de bebidas alcoólicas fortes em favor de bebidas alcoólicas fracas.

Isso significa que o imposto seletivo de consumo sobre as bebidas alcoólicas fortes é três a sete vezes superior ao que incide sobre a cerveja ou vinho natural.

Na Rússia, a situação é diferente. Nos últimos anos, as condições para o desenvolvimento da indústria cervejeira têm sofrido grandes mudanças, o que exerce uma pressão adicional sobre o setor e impede seu desenvolvimento.

No período de 2009 a 2012, o imposto de consumo sobre a cerveja quadruplicou. Devido a restrições legislativas e proibições de toda a espécie, a produção de cerveja na Rússia é regulada por uma das leis mais duras do mundo. O aumento da carga tributária e da pressão administrativa sobre a indústria cervejeira russa resultaram na redução da produção.

R.N.:O sr. pode avaliar o impacto produzido pela proibição da propaganda de cerveja sobre o mercado de cerveja russo?

S.M: Para falar sobre o impacto de algumas medidas, é preciso responder à pergunta: qual o problema que eles devem resolver?  

Temos dito repetidamente que a experiência internacional mostra que a proibição da propaganda de cerveja é ineficaz e não contribui para a redução do consumo de álcool. A proibição da propaganda de álcool está entre os métodos menos eficazes de combate ao consumo de álcool entre os menores de idade.

A propaganda só pode influenciar suas atitudes para com uma marca comercial e mais nada.

Para nós, é óbvio: uma das medidas mais eficazes para reduzir o consumo de álcool é o esclarecimento, que deve começar na escola e seguir em todos os níveis.

R.N.:Especialistas acreditam que o requerimento de licenças para a produção de cerveja é uma questão de tempo. Qual é sua opinião?

S.M: Encaramos essa medida como desnecessária. Não temos razões para duvidar da competência profissional do Serviço Federal de Impostos em termos de controle da disciplina tributária dos fabricantes de cerveja e consideramos desnecessário construir novas barreiras administrativas, que não terão nenhum efeito positivo, a não ser aumentarem o nível de corrupção e imporem custos adicionais ao produtor.

Veja bem, apesar de a produção de vodca estar sendo licenciada, o mercado negro continua existindo no país. Os fabricantes de cerveja pagam integralmente seus impostos, então qual o sentido de onerá-los ainda mais?

Além disso, as inovações irão complicar a vida das pequenas fábricas de cerveja, que têm, desde já, dificuldades em resistir a um ambiente cada vez mais negativo em torno da indústria.

R.N.:Anteriormente, o mercado de cerveja russo era quase completamente dividido entre os atores internacionais consolidados no país. Atualmente, segundo especialistas, a situação está mudando, cabendo uma fatia de 20% do mercado às empresas pequeno porte. O sr. acredita que a participação de empresas de cerveja de pequeno e médio porte no mercado está aumentando?

S.M: Sim, ao contrário de países onde o mercado de cerveja é muito mais consolidado, como EUA, Canadá, Bélgica, Reino Unido e Brasil, na Rússia, a situação é diferente: 20% da cerveja produzida nas diversas regiões vem fábricas de pequeno porte.

Acho essa uma tendência boa. No entanto, repito: um declínio geral observado no setor irá inevitavelmente afetar também pequenas fábricas de cerveja, com muito menos recursos para resistir a essa tendência negativa. Tomo a liberdade de supor que, em 2013, vamos assistir ao encerramento forçado de pequenas fábricas de cerveja.

 

Publicado originalmente pela agência RIA Nóvosti

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