Especialistas sugerem causas prováveis do acidente aéreo em Moscou

O avião Tu-204 fabricado pela Aviastar para a companhia Red Wings Airlines caiu no aeroporto de Vnukovo Foto: AP

O avião Tu-204 fabricado pela Aviastar para a companhia Red Wings Airlines caiu no aeroporto de Vnukovo Foto: AP

Investigadores estão sondando os motivos para o pouso forçado de um avião de passageiros Tu-204 no aeroporto Vnukovo, em Moscou. Falha do piloto, mau tempo e mau funcionamento da aeronave foram citados como possíveis causas do acidente que matou cinco membros da tripulação.

O Comitê Interestadual de Aviação (CIA) iniciou, no último domingo (30), uma investigação sobre o acidente do avião Tu-204. Após analisar a gravação com a troca de informações entre os pilotos e a torre de controle, e recolher amostras do combustível do avião para análise, os peritos disseram que incidente pode ter sido causado por uma falha técnica, condições de mau tempo ou falha humana.

Uma das versões é uma falha do reversor, informou uma fonte do centro de resposta para a emergência à agência Interfax.

“As descobertas preliminares indicam que, após o pouso, os pilotos usaram todos os sistemas de desaceleração disponíveis, mas por algum motivo a aeronave não conseguiu parar. Parece que o reversor ou freios apresentaram defeito”, disse a fonte.

Os investigadores também apreenderam documentos de voo do avião dos escritórios da Red Wings Airlines. No entanto, a Red Wings afirma que a companhia aérea havia passado por uma visita de manutenção pouco antes do acidente.

“A última manutenção foi realizado na empresa VARZ-400 em 14 de dezembro do ano passado”, declarou a Red Wings no Twitter. Paralelamente, o proprietário da Red Wings, Aleksandr Lebedev, escreveu em sua página no Twitter que “o avião é novo, projetado pelo Escritório de Design Tupolev e produzido na fábrica dos aviões de Ulianovsk, em 2008”.

Outra versão da queda pode ser um erro humano. Ainda assim, os colegas de pilotos do avião não colocam em dúvida seu profissionalismo e experiência, descartando tal versão. "Eles eram todos profissionais dedicados à aviação e simplesmente não poderiam cometer um erro desses", disse um ex-colega do piloto à Kommersant FM.

No acidente do último sábado (29), o avião Tu-204 saiu da pista, bateu no muro do aeroporto, foi dividido em três partes e pegou fogo. Havia apenas tripulantes a bordo do avião. 

Problema recorrente

Falhas semelhantes foram noticiadas em aeronaves deste tipo antes em outros aeroportos regionais da Rússia. De acordo com o jornal “Kommersant Daily”, pelo menos três aviões da companhia declarou a Red Wings saíram da pista ao longo dos últimos dois meses.

O último incidente aconteceu em 21 de dezembro, quando um Tu-204 da pista do aeroporto Tolmatchiovo, em Novosibirsk. Na ocasião, os reversões de ambos os motores e peças do sistema de frenagem não ligaram. Especialistas citaram “mau funcionamento da unidade de desligamento do trem de pouso principal” como a provável causa do incidente.

A Agência Federal de Transporte Aéreo já havia enviado uma diretiva ao presidente da empresa Tupolev pedindo o conserto dos sistemas de reversão e frenagem dos aviões Tu-204 o mais rápido possível.

Dada a gravidade do incidente em Tolmatchiovo, a agência federal enviou uma nova advertência ao presidente da empresa Tupolev.

Apesar dos avisos e da queda ocorrido no sábado, a Red Wings Airlines declarou que não deixará de usar os aviões Tu-204.

“Tu-204 é um dos aviões mais confiáveis e cumpre todas as exigências de aviação russa e internacional”, declarou a Red Wings em sua página no Twitter.

A companhia também assinalou que seus representantes estão presentes em Vnukovo. “Os relatórios que dizem não haver representantes da empresa no aeroporto são dizem a verdade”, diz a publicação.

“Assim que os sobreviventes do acidente se sentirem melhor, eles serão interrogados sobre as circunstâncias do acidente”, disse porta-voz do Comitê Investigativo, Vladímir Márkin.

Quatro pessoas, incluindo o piloto, morreram durante o acidente aéreo no aeroporto de Vnukovo. Um dos sobreviventes, a comissária de bordo Tatiana Penkina, morreu no hospital, elevando o número de mortos para cinco. Outros três tripulantes ainda estão hospitalizados em estado grave.

Um dos sobreviventes, um rapaz de 24 anos, foi submetido a uma cirurgia de emergência bem-sucedida no Instituto de Pesquisa de Medicina Sklifosóvski. “Acredito e espero que a vida dele esteja fora de perigo”, disse Anzor Khubutia, chefe do instituto, à agência Interfax.

Com material da agência Interfax e estação de rádio Kommersant FM

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