Saiba como os russos celebravam o Natal e o Ano-Novo na época czarista

O Natal na família imperial se distinguia pelo número de árvores Foto: Kommersant

O Natal na família imperial se distinguia pelo número de árvores Foto: Kommersant

A passagem de ano se tornou a principal festa da Rússia nos tempos soviéticos. No início do século 20, a Rússia czarista comemorava várias festas na época.

Com uma população composta por camadas sociais fechadas como castas indianas, a capital do Império Russo, São Petersburgo, via seu ritmo de vida coincidir poucas vezes no ano. Uma delas era na época de Natal.

Com 80% da população composta por cristãos ortodoxos, a passagem de ano e o Natal, a segunda festa mais importante após a Páscoa, eram celebrados por quase todos os peterburguenses.

O Natal dava início às comemorações, que duravam até a Festa do Batismo do Senhor –entre 25 de dezembro e 6 de janeiro no calendário juliano.

Celebrado em família, o Natal trazia muito forte o componente infantil.

Às vésperas da data, os grandes jornais da cidade publicavam histórias ou poemas em que os personagens se salvavam milagrosamente no dia do Natal.

Lojas de brinquedos vendiam bonecas, jogos de salão e esportivos, armas de brinquedo, casas de boneca, móveis, roupas, carruagens, miniaturas de moinhos, trens e automóveis. O destaque da temporada de 1913, por exemplo, foi um telégrafo inglês sem fio de brinquedo.

A mesa de Natal da época merece especial referência. Como indica um guia de viagem, poucas eram as famílias que não cozinhavam pratos como a galinha-do-mato ou o ganso tradicional na ceia. A tradição mandava observar um jejum rigoroso até o Natal, algo que não era rigorosamente seguido em São Petersburgo.

Árvore

O costume de montar uma árvore foi trazida pelos alemães, surgiu em São Petersburgo em 1830 e de lá se espalhou por todo o país. Na época, os enfeites eram importados da Alemanha.

Os brinquedos colocados sob a árvore eram oferecidos a todas as crianças convidadas para a festa, enquanto doces, soldadinhos de chumbo, frutas e nozes pendurados na árvore serviam de prêmio para os vencedores de charadas, anagramas e outros jogos. Após a missa natalina, a mesa era posta e os brinquedos eram distribuídos.

Na manhã seguinte, grupos de meninos iam de casa em casa felicitar as pessoas e receber presentes, geralmente algumas moedas.

O Natal na família imperial se distinguia pelo número de árvores (uma para cada membro da família), pelo valor dos presentes e pelo fato de os adultos e crianças trocarem presentes, ao contrário das famílias comuns, em que só as crianças eram presenteadas.

Ano-Novo

O dia de passagem de ano não era visto como data comemorativa –era um dia normal de trabalho.

Somente no início do século 20 consolidou-se um ritual de comemorações da chegada do Ano-Novo na capital do Império, mas a noite da passagem de ano pertencia à juventude e era marcada por festas de jovens livres dos laços matrimoniais e bailes à fantasia na Assembleia Nobre e no Teatro de Suvorin.

Até a Festa do Batismo do Senhor

As férias de inverno duravam duas semanas. Em espaços públicos eram organizados shows natalinos para alunos de escolas locais, nos quais as crianças de até 10 anos recebiam presentes gratuitos.

O dia seguinte à chegada do Ano-Novo era marcado pelas brincadeiras para arranjar um namorado ou marido e as tentativas de descobrir ao menos seu nome.

As técnicas eram várias: algumas moças davam aveia a um galo e pela maneira como ele bicava os grãos tentavam saber quem seria seu pretendente, outras escreviam os nomes desejados em papeizinhos e os colocavam em um prato com água e cera derretida, outras ainda tentavam ver seu noivo em potencial no espelho.

A época natalina terminava no dia da Festa do Batismo do Senhor, celebrado no dia 6 de janeiro, com procissões religiosas e um dos rituais tradicionais da festa, o mergulho em um buraco no gelo em forma de cruz, aberto em um lago ou rio congelado. Esse buraco se chamava Jordão e simbolizava o rio de mesmo nome.

 

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