Moscou e UE discordam sobre questões de energia e regime de vistos durante reunião

O presidente russo, Vladímir Pútin (à esq.) e presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, durante a cúpula Rússia-UE. Fonte: APFoto: AP

O presidente russo, Vladímir Pútin (à esq.) e presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, durante a cúpula Rússia-UE. Fonte: APFoto: AP

Presidente russo, Vladímir Pútin, e presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, não conseguiram chegar a um acordo a portas fechadas e continuaram a discussão em coletiva de imprensa.

O Terceiro Pacote Energético, que estabelece novas regras para o mercado de gás natural e eletricidade da União Europeia, foi a principal controvérsia entre a Rússia e os países do bloco  na 30ª Cúpula Rússia-UE, realizada em Bruxelas na última sexta-feira (21).

O presidente russo, Vladímir Pútin, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, não conseguiram chegar a um acordo a portas fechadas e continuaram a discussão na frente da imprensa.

Durante a reunião, Pútin falou em tom duro sobre o assunto e qualificou como incivilizada a decisão da UE de dar efeito retroativo ao Terceiro Pacote Energético.

Em seguida, já durante a coletiva de imprensa, o líder russo lembrou que o país cobre 30% da demanda de gás e petróleo da União Europeia e explicou porque o documento não pode ser aplicado aos contratos celebrados antes de sua adoção.

"Durante a discussão, nossos parceiros europeus disseram que estavam seguindo as normas da lei", disse o presidente russo, em referência ao documento que determina as relações entre  Rússia e União Europeia.

No artigo 34, o documento proíbe ações voltadas para deteriorar o ambiente para as atividades comerciais das partes, logo, o Terceiro Pacote Energético é evidentemente contrário a essa disposição, disse Pútin.

"O parceiro europeu está cumprindo todos os seus compromissos internacionais e segue o princípio do primado da lei", replicou Barroso.

"Nosso sistema não é discriminatório e é aplicado às empresas provenientes de qualquer região do mundo", completou.

Segundo ele, o novo regime não limita, antes pelo contrário, amplia as oportunidades de negócios, o que é confirmado pela prática.

"A presença de empresas russas nos mercados europeus de energia é muito mais forte do que era há cinco anos", disse Barroso. "Mas suas empresas devem respeitar nossas regras."

Vladímir Pútin reagiu imediatamente dizendo:

"Meu amigo de longa data, senhor Barroso defendeu sua posição de forma tão detalhada e emocionada porque sabe que está errado."

Ao mesmo tempo, Pútin deixou claro que discussões fazem parte de um processo de negociação normal.

"Barroso e eu temos discutido dessa maneira por muitos anos e conseguimos resolver muitos problemas e aumentar nosso comércio bilateral para US$ 400 bilhões por ano",  disse Pútin.

Outros assuntos

Durante a reunião, Moscou se declarou disposta a esperar que todos os 27 países da União Europeia chegassem a um acordo quanto à dispensa de visto para a entrada dos cidadãos russos nos países do bloco.

As economias de Rússia e da União Europeia vêm se tornando cada vez  mais interdependentes, disse Pútin.

Segundo ele, as relações econômicas entre ambos registram progressos em todas as principais vertentes. Em 2011, o comércio bilateral cresceu cerca de 33% e atingiu US$ 394 bilhões, o que dá a esperança de que a meta de US$ 400 bilhões seja alcançada em um futuro próximo, disse Pútin.

“A participação da UE no comércio russo é de 48,8%, o que não é o limite”, disse Pútin.

Segundo o presidente russo, o importante é que, após a adesão da Rússia à OMC (Organização Mundial do Comércio), os países europeus levantem as restrições que dificultam as exportações russas.

“Quanto à dispensa de visto, as questões técnicas associadas já foram solucionadas. Falta a respectiva decisão política da União Europeia”, disse Pútin.

"Todos nós estamos fazendo esforços para estabelecer um regime de isenção de vistos para a Rússia", disse Barroso.

Segundo ele, a UE faz o possível para facilitar, desde já, a entrada de cidadãos russos. No ano passado, os países europeus concederam 5,26 milhões de vistos para russos, ou seja, 62% a mais do que em 2010, disse Barroso.

Sergêi Markov, vice-reitor da Universidade de Economia Russa Plekhanov e membro da Câmara Pública da Rússia, disse que, embora a cúpula não tenha proporcionado resultados de importância crucial, ela pode ser vista como bem sucedida porque as partes deram continuidade ao diálogo sobre as questões mais difíceis das relações bilaterais.

 

Para a versão completa do artigo em russo, acesse: http://www.rg.ru/2012/12/22/summit-site.html

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