Exército russo quer ampliar utilização de robôs em operações especiais

Foto: TASS

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Robotização das operações de desmantelamento de munições com a vida útil vencida e daquelas que implicam riscos para a saúde e a vida do soldado permitirá não só poupar a vida de combatentes, como também economizar cerca de R$ 5 bilhões entre 2012 e 2014, segundo estimativas preliminares.

O exército russo quer ampliar a utilização de robôs em operações especiais, como a desmontagem de minas, e em situações de emergência. Os novos robôs também deverão ser usados em missões de combate.

A decisão foi tomada pelo ministro da Defesa, Sergêi Choigu.

A robotização das operações de desmantelamento de munições com a vida útil vencida e daquelas que implicam riscos para a saúde e vida do soldado permitirá não só poupar a vida de combatentes, como também economizar 75 bilhões de rublos (cerca de R$ 5 bilhões) entre 2012 e 2014, segundo estimativas preliminares.

Resolver esse problema é um dos principais desafios enfrentados pelo Ministério da Defesa.

As potencialidades da robótica foram demonstradas por Choigu em uma recente reunião de trabalho no Centro de Operações de Resgate. O Chefe do Estado Maior, Valeri Gerasimov, sugeriu usá-los na Chechênia.

Outros equipamentos, como veículos capazes de operar em pântanos e neve profunda, viaturas de combate a incêndios e um complexo móvel de combate a incêndios (já utilizado em um ensaio) também despertaram grande interesse nos militares.

Essa é a primeira vez que o Ministério da Defesa examina a possibilidade de compra de robôs civis. Antes, o interesse da pasta se limitava principalmente aos robôs de guerra.

Desde 2009, têm sido realizados testes do sistema robótico multimissão MRK-27 BT, desenvolvido pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Robótica da Universidade Bauman, de Moscou.

Segurança

O objetivo do projeto é garantir o cumprimento das missões de combate onde a probabilidade de baixas entre os militares é grande.

O MRK-27BT é um par do robô americano Swords e representa um chassi de lagarta que transporta um arsenal inteiro de armas de fogo: uma metralhadora Pecheneg, dois lançadores de granadas RChG-2, dois lança-chamas Chmel e seis granadas de fumaça.

O sistema pesa 200 kg, é controlado por rádio e pode ser operado a uma distância de um quilômetro. Está protegido por blindagem e continua viável após ser atingido por uma explosão equivalente a 800 gramas de TNT. Em breve, o sistema será equipado com um dispositivo de localização por satélite.

Céticos

"Apesar de esse sistema robótico levar tantas armas, é pouco provável que seja adotado pelas Forças Armadas, até porque os militares não possuem uma noção conceitual da tática de uso de robôs de guerra", disse Vadim Koziulin, professor catedrático da Academia de Ciências Militares.

"No campo de batalha, esses robôs perdem para os tanques", completou o especialista.

A robótica é mais comum na Marinha. Recentemente, o Ministério da Defesa encomendou à empresa islandesa Hafmynd oito submarinos não tripulados Gaiva, que pode ser usado para a detecção e desativação de minas e em operações de patrulhamento.

Segundo Dmítri Rogozin, vice-primeiro-ministro da Rússia e responsável pela indústria armamentista, a robótica no interesse da Defesa é uma das vertentes prioritárias do desenvolvimento de armas e equipamentos militares no país.

Uma das mais recentes iniciativas nesse sentido foi a criação da Fundação Russa para a Pesquisa Avançada de Projetos, semelhante à Defense Advanced Research Projects Agency  dos EUA. O projeto de lei sobre a fundação já foi encaminhado para apreciação da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo).

O Ministério da Defesa também publicou em seu site oficial um edital de licitação para o desenvolvimento de novas armas e equipamentos militares.

Algumas empresas privadas têm uma estreita cooperação com a pasta, principalmente na área de veículos aéreos não tripulados. Agora, elas estão sendo convidadas a participar na construção de robôs.

"Já nos inscrevemos para a licitação", disse Andrêi Nosov, diretor de uma empresa cooperante.

"Estamos desenvolvendo um braço manipulador, que, ao contrário de seus pares, não será controlado por um joystick, mas copiará os movimentos do braço do operador. O projeto foi concebido a pedido da Roskosmos (Agência Espacial Russa), mas também deverá servir aos militares." 

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