Os desafios do G20 sob a liderança russa

Ilustração: Aleksêi Iórch

Ilustração: Aleksêi Iórch

Embaixador da Rússia no Reino Unido discorre sobre as prioridades do país na presidência do grupo em 2013.

É de conhecimento geral que a Rússia assumiu a presidência do G20 desde o último dia 1°. Esse grupo, que concentra as principais economias do mundo e cobre 90% do PIB mundial e 80% do comércio global, foi criado como um instrumento para coordenar os esforços internacionais na tentativa de fomentar a sustentabilidade e o crescimento econômico, gerenciar e responder a crises.

Assim sendo, a Rússia está disposta a trabalhar com seus parceiros para desenvolver novas ideias e mecanismos eficazes destinados a apoiar o crescimento econômico e prevenir novas crises no futuro. A presidência do G20 também dá à Rússia uma oportunidade de abordar objetivos econômicos do país a longo prazo, consolidar a experiência do conselho internacional e compartilhá-la com os outros membros do grupo e de toda a comunidade internacional.

Desde a 1ª reunião de cúpula do G20 em 2008, os países participantes conseguiram deter a queda econômica e reforçar o controle sobre os sistemas financeiros nacionais, inclusive com o apoio ativo do governo russo. Juntos, estamos promovendo uma transformação sistêmica da arquitetura econômica e financeira internacional, além de proporcionar máxima proteção contra riscos, reforçar a confiança mútua e impulsionar o desenvolvimento sustentável e equilibrado da economia mundial.

Quanto aos objetivos da Rússia na presidência do G20, o país decidiu não introduzir quaisquer novos (em essência) itens à agenda, mas concentrar-se no tradicional caminho de apoio a um crescimento sustentável, crescimento equilibrado e abrangente, além da criação de empregos em todo o mundo.

Nós, russos, gostaríamos de garantir a continuidade do diálogo sobre todas as questões existentes para dar sequência à implementação dos compromissos anteriores. Para atender a esse objetivo estratégico, estamos planejando concentrar nossos esforços comuns nas três prioridades que visam iniciar o novo ciclo de crescimento da economia mundial e impulsionar o crescimento: criação de emprego e oportunidades de investimento, confiança e transparência dos mercados, e regulamentação eficaz do mercado.

Além da agenda tradicional do G20, dois novos temas financeiros serão adicionados, isto é, financiamento para investimentos e empréstimo contraído pelo Estado e a sustentabilidade da dívida pública. Temos grande expectativa de coordenar políticas que possam ser adotadas para estimular a expansão e desenvolvimento de fontes de crescimento a longo prazo, bem como discutir o futuro de empréstimos soberanos na abordagem dos compromissos nacionais em um conjunto de regras internacionais.

De modo a garantir a continuidade e implementação dos compromissos anteriores, vamos trabalhar com nossos parceiros para avançar questões tradicionalmente vitais na agenda do G20, tais como a situação econômica mundial, a implementação do Acordo-Quadro para o Crescimento Forte, Sustentável e Equilibrado, a facilitação da criação de empregos, a reforma monetária e da regulamentação financeira e os sistemas de supervisão, incluindo a reforma do sistema de cotas do FMI,  e a manutenção da estabilidade nos mercados globais de energia, intensificando o desenvolvimento internacional, fortalecendo o comércio multilateral e combatendo a corrupção.

Vamos começar com a atualização de nossos compromissos no âmbito do Acordo-Quadro para o Crescimento Sustentável. De um modo geral, estamos atualmente enfrentando uma situação muito delicada ao ver que os compromissos nem sempre coincidem com as ações políticas reais. Temos a intenção de unir esforços com nossos parceiros a fim de incentivar as principais economias a cumprir seus compromissos, sobretudo em termos de implementação das promessas relacionadas aos déficits orçamentais e os coeficientes de dívida, conforme acordado nas cúpulas anteriores, incluindo a reunião dos líderes realizada na cidade de Toronto em 2010.

Também vamos insistir na implementação da agenda de uma ampla reforma de regulamentação financeira, onde o G20 já alcançou alguns resultados impressionantes, como, por exemplo, no contexto da institucionalização do Conselho de Estabilidade Financeira e no acordo de Basileia III, entre outros.

A Rússia se propõe a uma abordagem pragmática e norteada para resultados, o que implica a racionalização dos formatos de trabalho e reuniões ao longo de duas faixas centrais – ministérios das Finanças e os grupos de trabalho relevantes. A inovação da presidência será uma reunião conjunta dos ministros das Finanças e do Trabalho.

A prática mostra que as medidas globais só são eficazes quando baseadas no maior número possível de pontos de vista e levam em conta os interesses dos diferentes grupos. No primeiro dia da presidência russa no G20, Vladímir Pútin, presidente da Rússia, ressaltou que o país está aberto ao diálogo e pronto para a mais ampla possível cooperação construtiva para atingir os objetivos do G20.

Para garantir a transparência, legitimidade e eficiência do G20, a presidência russa planeja realizar extensas consultas com todas as partes interessadas, incluindo países que não integram o G20, organizações internacionais, setor privado, sindicatos de comércio, sociedade civil, jovens, grupos de reflexão e círculos acadêmicos, visando a produção de uma sinergia intersetorial e, assim, aumentar os benefícios para todos.

Nosso objetivo comum é abordar e tentar resolver os problemas mais graves enfrentados pela economia global, garantir seu crescimento sustentável em benefício dos cidadãos do mundo inteiro. Esperamos que a presidência da Rússia no G20 ajude a consolidar os esforços internacionais e a melhorar nossa coordenação nessa tarefa ambiciosa.

Aleksandr Iakovenko é embaixador da Rússia no Reino Unido. Antes ocupava o cargo de vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa. Siga-o no Twitter: @ Amb_Yakovenko

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