“Setor privado deve ter a possibilidade de operar na plataforma continental ártica”, diz presidente da Lukoil

Foto: lukoil.ru

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“Estamos prontos para trabalhar na plataforma continental seguindo os mais altos padrões e temos, para tanto, experiência e tecnologia necessárias. Além disso, nossa empresa, como um dos maiores contribuintes, é controlada pelo Estado. Coordenamos nossos planos com o Ministério da Energia e cumprimos todas as suas diretrizes”, diz Vagit Alekperov .

A discussão sobre se as empresas de petróleo e gás privadas devem ser admitidas a operar na plataforma continental ártica da Rússia se arrasta há vários anos. Em entrevista a Rossiskaia Gazeta, Vagit Alekperov, presidente da Lukoil, uma das maiores empresas de petróleo privadas russas, falou sobre como o setor privado poderia participar desse processo.

Rossiskaia Gazeta:A Lukoil e outras empresas privadas têm tentado obter acesso à plataforma continental ártica russa. Sem sucesso, por enquanto. O problema está na oposição de um forte lobby das empresas estatais ou o setor público vê realmente algumas ameaças econômicas por parte do setor privado?

Vagit Alekperov: Acho que ambos os motivos podem estar presentes. A vulnerabilidade da flora e da fauna do Ártico não é um mito. Por isso, o país  aprovou uma lei que coloca essa região no controle do Estado e que faz com que as decisões sobre possíveis projetos na plataforma continental ártica devam ser tomadas com muito cuidado em cada caso específico. Por um lado, isso é correto. Por outro, estamos prontos para trabalhar na plataforma continental seguindo os mais altos padrões e temos, para tanto, experiência e tecnologia necessárias. Além disso, nossa empresa, como um dos maiores contribuintes, é controlada pelo Estado. Coordenamos nossos planos com o Ministério da Energia e cumprimos todas as suas diretrizes.

G.R:Segundo o vice-primeiro-ministro, Arkadi Dvorkovich, o Estado terá dificuldades de obter das empresas privadas garantias do cumprimento dos programas de investimento na plataforma continental.

V.A.: Todos os aspectos podem ser fixados em acordos especiais. Estamos atualmente trabalhando em plataformas continentais de outros países e temos contratos semelhantes, que levam em conta todos os aspectos: as condições, os prazos e a responsabilidade financeira das partes. Se a parte contratada não cumpre suas obrigações, tem de pagar à parte contratante, o Estado no caso. Esse método é simples e usado em todo o mundo.

R.G.: O senhor mencionou que sua empresa se dispõe a trabalhar na plataforma continental em cooperação com empresas públicas. O que a Lukoil pode lhes oferecer?

V.A: As empresas públicas não podem explorar sozinhas jazidas na plataforma continental. Em razão disso, convidam parceiros estrangeiros. Nós, infelizmente, não somos convidados. Poderíamos realizar uma prospeção geológica, descobrir novas jazidas e convidar empresas estatais a aderir a nossos projetos na condição de compensarem as despesas sofridas por nossa empresa com os trabalhos de prospecção. Isso permitiria a empresas estatais participarem de nossos projetos e a nossa empresa ser participante ativo da exploração da plataforma continental. 

G.R:Houve conversas a esse respeito?

V.G: Tivemos, mas sem resultado. Na Rússia, ainda é muito difícil formar consórcios de empresas russas. Mesmo assim, estou profundamente convencido de que a cooperação permitiria acelerar os trabalhos na plataforma continental. Em última análise, o efeito disso seria benéfico para todos. Veja bem, o início da exploração de cada jazida offshore envolve a criação de uma infraestrutura poderosa no mar e na costa. Em meados da década de 1990, tomamos uma decisão bastante arriscada de começar a prospeção geológica no Mar Cáspio. Foram necessários 15 anos para obtermos petróleo. Nesse espaço de tempo, construímos plataformas flutuantes e embarcações.

Hoje, os estaleiros de Astrakhan, que constroem plataformas de petróleo para o Mar Cáspio, têm muito trabalho e milhares de empregos para os próximos anos.

Espero que a questão do acesso do setor privado à plataforma continental ártica russa tenha uma solução positiva. Ainda em dezembro, haverá uma reunião sob a presidência do primeiro-ministro, que terá o assunto entre as questões agendadas. Tenho certeza de que as empresas russas que pagam impostos ao orçamento russo e passarem pelo processo seletivo em termos de sua compatibilidade com os padrões tecnológicos e ambientais devem ter a possibilidade de operar na plataforma continental.

Para a versão na íntegra da entrevista em russo, acesse http://rg.ru/2012/12/06/alekperov.html

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