Rússia vai deixar o Protocolo de Kyoto

País se recusou a endossar extensão do Protocolo de Kyoto durante a conferência das Nações Unidas sobre mudança climática em Doha, no Qatar, que terminou neste domingo (9). Canadá e Japão também não apoiarão a segunda rodada de compromissos programada para o tratado.

O segundo período de compromissos do tratado da ONU terá início em 2015, mas as restrições para as empresas russas no mercado de carbono entrariam em vigor já no ano que vem, informou a Bloomberg. O primeiro período de compromissos do tratado expira em 2012.

Conforme declaração recente do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Aleksandr Lukachevitch, as autoridades do país acreditam que o atual modelo é “ineficaz” e, portanto, é preciso focar em um novo acordo internacional, obrigando países desenvolvidos e em desenvolvimento a limitar igualmente as emissões de gases do efeito estufa.

Assinado em 1997, o Protocolo de Kyoto estabelece que todos os países participantes reduzam suas emissões a um limite definido.

Os limites atuais obrigam a Rússia a manter suas emissões ao mesmo nível de 1990, mas, devido à crise geral na produção industrial, as emissões ficaram 38% abaixo desse nível em já 2000. Em 2010, o país voltou a apresentar um aumento de 4%.

No entanto, os maiores produtores mundiais de gases que agravam o efeito estufa, China e Índia, jamais participaram do tratado, assim como os Estados Unidos, que nunca ratificou o acordo por “razões econômicas”, segundo o então presidente norte-americano George W. Bush.

Além disso, o tratado autoriza os países que não utilizaram sua cota integral de emissões de gases a venderem tais créditos às demais nações com dificuldade de atingir seu próprio limite.

Ao longo dos últimos anos, Rússia, Ucrânia e os países do Leste Europeu foram responsáveis pela venda da maior parte das cotas excedentes.

 

O Ministério do Desenvolvimento Econômico russo estima que as empresas nacionais teriam ganhado cerca de US$ 38,7 bilhões ao vender seu “ar quente”, como as cotas foram apelidadas pelo grupo de ativistas ambientais do Greenpeace.

Outras estimativas, contudo, foram substancialmente menores. De acordo com Vsevolod Gavrilov, chefe do departamento para economia de energia e projetos de gestão ambiental do Sberbank, esse valor chegaria a apenas US$ 600 milhões.

Cabe lembrar que o preço dessas cotas sofreu uma queda de 88% em 2012, gerada pela diminuição da atividade industrial e crise econômica na Europa.

Publicado originalmente pelo The Moscow News

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