Rússia quer rastrear lixo espacial

Foto: federalspace.ru

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Grupo de cientistas está desenvolvendo projeto de sistema de monitoramento de detritos espaciais e asteroides perigosos.

Por encomenda da Agência Espacial Russa (Roskosmos), um grupo de cientistas do país está desenvolvendo um projeto de sistema de monitoramento dos detritos espaciais e asteroides perigosos. O financiamento pode começar já em 2014, disse à agência RIA Nóvosti uma fonte do Conselho Científico e Tecnológico da Roskosmos, após uma reunião dedicada ao assunto.

"A ideia é desenvolver um sistema de monitoramento para rechaçar as ameaças decorrentes dos detritos produzidos pelos humanos no espaço circunterrestre", disse o diretor do projeto de sistema de monitoramento do espaço exterior, Víktor Chilin, que trabalha na corporação Mak-Vimpel, coordenadora do projeto. "O segundo aspecto importante é criar um sistema de aviso prévio contra asteroides e cometas. O objetivo do projeto é aumentar o papel da Rússia na solução desses problemas globais."

Segundo ele, a reunião do Conselho Científico e Tecnológico da Roskosmos, presidida por Vladímir Popovkin, chefe da Agência Espacial Russa, teve a participação de representantes de dezenas de organizações, entre as quais o Instituto de Astronomia, o Instituto de Pesquisas Espaciais, o Instituto de Matemática Aplicada Keldysh, assim como empresas subordinadas à Roskosmos e departamentos especiais do Ministério da Defesa.

Diversos projetos de sistemas de monitoramento do lixo espacial foram discutidos.

O Instituto de Astronomia, por exemplo, sugeriu construir dois telescópios com um espelho de cerca de 1,5 metro de diâmetro para monitorar o espaço circunterrestre. Um deles, o AZT-33VM, já está sendo instalado em um observatório nos Montes Sayan, na Sibéria. O centro de pesquisas e desenvolvimento Kometa está desenvolvendo o projeto Nebosvod (Abóbada Celeste) com a intenção de lançar dois grandes telescópios orbitais com um espelho de cerca de 1,5 metro de diâmetro para controlar a situação espacial.

Para Chilin, ao todo, foram apresentadas cerca de 30 propostas, que serão unidas em um único projeto, que deve ser implantado até 2020. 

"O novo sistema irá englobar várias redes de telescópios ópticos e radares e terá uma rede de centros interligados em vez de um centro de comando único", disse Chilin.

Fins militares

 

O projeto atenderá aos interesses dos militares e utilizará sua experiência porque o problema da faxina espacial é relevante não só para os militares.

"A ideia é construir um sistema único que inclua tanto os equipamentos militares quanto os da Academia de Ciências e da Roskosmos", disse Chilin.

Para ele, um sistema de rastreamento pleno deve possuir pontos de observação espalhados por todo o planeta. Como os militares não podem instalar seu equipamento no exterior, a Academia de Ciências pode ajudar a resolver esse problema.

"Uma vez que só podemos operar no exterior através dos canais da Academia de Ciências e da Roskosmos, essas entidades devem negociar com as autoridades estrangeiras competentes a possibilidade de instalar seus instrumentos nos observatórios de todo o mundo", disse a fonte.

Rastreamento de asteroides

 

Os participantes acreditam que não faz sentido a Rússia competir com os norte-americanos e que o país deve escolher um nicho em que possa contribuir muito para a causa comum com meios relativamente pequenos.

"Devemos encontrar um nicho onde a voz da Rússia soe claramente, a despeito das possibilidades de que o país dispõe", adiantou Chilin.

Uma das opções apresentadas na reunião foi a de rastrear os asteroides que se aproximam da Terra e calcular suas órbitas, já que os astrônomos norte-americanos praticamente não se ocupam disso.

"Boa parte dos asteroides recém-descobertos se extravia. Eles são observados por vários dias e nem sempre é possível calcular com precisão sua órbita. Como resultado, eles se extraviam e, depois, voltam a ser descobertos", disse Leonid Elenin, um dos participantes da reunião.

Publicado originalmente pela agência RIA Nóvosti

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