Vice-chanceler reage à proibição dos EUA de comprar armas russas

Foto: TASS

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Rússia reagiu neste sábado (1) à iniciativa dos EUA que impede o Pentágono de adquirir qualquer item da empresa russa de exportação de armas. Segundo norte-americanos, isso poderia prejudicar uma cooperação “positiva”.

O Senado norte-americano votou por unanimidade na noite da última quinta-feira (29) em favor da emenda Cornyn, que proíbe o uso de fundos dos contribuintes norte-americanos para compra de bens – incluindo helicópteros para voo no Afeganistão – da empresa estatal de armas Rosoboronexport.

A companhia russa administra quase todas as vendas de armas da Rússia, incluindo suprimentos que foram enviados para a Síria e os EUA.

O vice-chanceler russo Serguêi Riabkov alertou neste sábado (1) que a medida pode afetar uma negociação no valor de US$ 171 milhões referente a doze helicópteros Mi-17 para militares afegãos.

“A cooperação entre a Rosoboronexport e os órgãos norte-americanos, inclusive no projeto de helicópteros [para o Afeganistão], era muito positiva, e não queremos que seja prejudicada por ideias irrefletidas de alguns senadores americanos”, disse Riabkov. O acordo envolvendo helicópteros foi anunciado pelos EUA e confirmada pela Rosoboronexport no início deste ano.

“A Rússia é contra políticas que propõem sanções ou quase sanções independentemente dos motivos por trás dessas iniciativas”, completou Riabkov.

O vice-chanceler russo acrescentou que qualquer proibição de vendas de helicópteros de fabricação russa para os EUA destinadas ao Afeganistão “exigiria mudanças na norma sobre gastos com defesa dos EUA já concluída para o próximo ano financeiro”.

A Rosoboronexport foi considerada a única intermediária que atende às necessidades militares afegãs. Mas agora não é certo que o governo dos EUA vá comprar os helicópteros se o acordo for cancelado.

Riabkov disse que só será possível estimar o impacto depois que o projeto de lei passar por todos as votações necessárias.

A votação do projeto de lei na íntegra está prevista para a próxima semana. Um projeto de lei semelhante, que pressupõe inclusive restrições do Pentágono em suas relações com Rosoboronexport, já foi aprovada pela Câmara dos Representantes dos EUA.

“O contribuinte norte-americano não indiretamente subsidiar o extermínio em massa de civis sírios, especialmente quando existem alternativas perfeitamente adequadas para compra dessas mesmas armas por intermédio de norte-americanos”, disse o senador republicano e autor da emenda, John Cornyn, em uma declaração oficial.

Por meio da estatal, a Rússia teria vendido mais de um bilhão de dólares em armas para a Síria, incluindo quatro navios de carga cheios de armamento e três dúzias de aviões de combate.

“Dando continuidade a essa intensa relação comercial com a Rosoboronexport, seguiremos minando a política dos EUA na Síria e os esforços norte-americanos para ficar do lado do povo sírio”, disse Cornyn. Ele e outros membros do congresso vêm há muito tempo defendendo o fim dos acordos de armas com a Rússia.

Em uma carta ao Pentágono, em março, os legisladores norte-americanos disseram que tinham “sérias preocupações” sobre os negócios com a Rosoboronexport,, dizendo que a empresa estatal russa proporciona ao governo sírio “meios de perpetrar ataques generalizados e sistemáticos contra o seu próprio povo”.

O presidente dos EUA, Barack Obama, ameaçou vetar o projeto de lei de autorização de defesa por razões não relacionadas com a empresa russa.

Publicado originalmente pela agência RIA Nóvosti

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