Com segunda fase de oleoduto, Rússia quer aumentar venda de petróleo para o Pacífico Asiático

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Com a inauguração em dezembro da segunda fase do oleoduto no porto marítimo de Kozmino, no Extremo Oriente, a Rússia irá dobrar o volume das vendas externas do petróleo da marca Espo.

Com a inauguração em dezembro da segunda fase do oleoduto no porto marítimo de Kozmino, no Extremo Oriente, a Rússia irá dobrar o volume das vendas externas do petróleo da marca Espo. Isso será o suficiente para que a marca atinja um novo padrão de preço no Pacífico Asiático, se coloque ao lado dos famosos Brent e WTI e ultrapasse em volume de vendas externas o também russo Urais.

O petróleo Espo é exportado pelo terceiro ano consecutivo e tem uma boa reputação no mercado. Uma de suas principais vantagens para os consumidores do Pacífico Asiático é a curta distância de transporte: pode ser entregue ao consumidor em um prazo de três a sete dias contra algumas semanas em caso de transporte a partir do Oriente Médio.

Com a inauguração, o custo de transporte deve cair para US$ 80 por tonelada, ou cerca de 10% de seu preço de mercado. Após a conclusão de todos os trabalhos, a capacidade total do oleoduto será de 80 milhões de toneladas por ano. Como resultado, a participação do petróleo russo no mercado do Pacífico Asiático aumentará dos atuais 3,8% para 5,5% e até para 8%, segundo anunciou a diretoria da Transneft, proprietária do oleoduto, no ano passado.

Os oleodutos russos têm origem em jazidas petrolíferas da Sibéria Ocidental (a três mil quilômetros da Sibéria Oriental) e se estendem em direção à Europa Ocidental. Portanto, não fazia sentido extrair o petróleo na Sibéria Oriental antes que fosse construído o oleoduto Sibéria Oriental-Oceano Pacífico (Espo, na sigla em inglês).

Hoje, a produção de petróleo na Sibéria Oriental cresce em ritmo acelerado. Em 2012, a região deve produzir 30 milhões de toneladas ou 223 milhões de barris. A segunda fase do oleoduto Espo vai atingir a costa do Pacífico da Rússia e permitirá transportar por meio de navios petroleiros até 50 milhões de toneladas (372 milhões de barris) por ano, tirando a quantidade de petróleo exportado para a China.

Hoje, não há uma referência especial para petróleo no Pacífico Asiático, embora a região utilize como padrão o Dubai Crude, originário do Oriente Médio e fornecido a partir de Singapura. Em outras palavras, o preço de outros petróleos depende do preço do Dubai Crude, que, porém, perde em qualidade para o petróleo Espo. Por isso, sob certas condições, o Espo tem todas as chances de assumir as funções de um novo padrão de preço.

Outra desvantagem do Dubai Crude é a grande distância de transporte. Por essa razão, o Pacífico Asiático não está entre os mercados prioritários para a marca, que continua exótica nessa região.

Todos os importadores do petróleo do Pacífico Asiático estão interessados em transformar a marca Espo em petróleo padrão, com o preço se fixando com base nas cotações das bolsas internacionais e não como desconto em relação a uma outra marca.  

"Por exemplo, a diferença nas cotações do WTI e Brent [após a crise econômica em 2008, o petróleo americano custa 20% mais barato do que o europeu] mostra que os consumidores preferem se orientar por um benchmark regional", afirma o analista independente Aleksandr Kovalev.

O grupo de consumidores da marca Espo já é conhecido. Em 2011, os principais compradores foram os Estados Unidos (27% do total das exportações), Japão (19%), China (18%) e Coreia do Sul (13%). Filipinas, Índia e Indonésia compraram parcelas menos significativas.

Para transformar a marca Espo em um benchmark, a Rússia deve estabilizar a qualidade da matéria-prima e aumentar o volume de fornecimento, disse o presidente da agência Platts, uma das líderes mundiais em informações sobre energia e commodities, em agosto de 2010.

Enquanto isso, o desafio de aumentar o volume de fornecimentos continua na ordem do dia. Para vencer a corrida pelo título de padrão, os exportadores russos devem aumentar os fornecimentos dos atuais 20 a 30 milhões de toneladas por ano para 50 milhões. Estima-se que, em um futuro próximo, cerca de 30 milhões de toneladas por ano sejam entregues à China e 50 milhões de toneladas sejam exportados através do porto marítimo de Kozmino para outros países.

Com a entrada em funcionamento da segunda fase do oleoduto, a velocidade e a segurança dos fornecimentos ao longo de todo o trajeto irão aumentar e o petróleo russo poderá constituir alternativa ao Dubai Crude e se tornar um projeto de dimensão global, acredita o analista da empresa de investimentos Metropol,  Aleksêi Kokin.

No entanto, o processo de formação de um benchmark leva anos, para não dizer décadas. O mais provável é que o Espo precise de mais dois ou três anos para se afirmar como marca padrão, até porque novas empresas de extração de petróleo integradas ao oleoduto Espo poderão começar a operar só em 2015.

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