Tribunal de São Petersburgo rejeita demandas contra Madonna por promoção da homossexualidade

Foto: RIA Nóvosti / Vitali Belousov

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Um Tribunal de São Petersburgo rejeitou as demandas contra Madonna pela promoção do homossexualismo e condenou os autores a pagar as custas processuais. A própria cantora não compareceu ao tribunal.

Um Tribunal de São Petersburgo rejeitou na última quinta-feira (22) nove demandas para a indenização por danos morais no valor total de 333 milhões de rublos (cerca de US$ 11 milhões) apresentadas, em meados de agosto passado, por ativistas de organizações sociais contra a cantora Madonna pela promoção do homossexualismo em um de seus concertos em São Petersburgo. O Tribunal condenou os autores a pagar as custas processuais.  

Em sua página no Facebok, a cantora havia dito que considerava absurda a lei antigay aprovada pela assembleia legislativa da cidade. Já no show, Madonna pediu ao público para apoiar o movimento LGBT, colocando no pulso da mão uma pulseira cor de rosa distribuída por ativistas do orgulho gay.

Como resultado, ativistas de algumas organizações sociais de São Petersburgo entraram na justiça com uma ação contra a cantora, os organizadores do concerto, a empresa estatal Pavilhão de Esportes de São Petersburgo e a Planeta Plus S/A.

No entanto, nem Madonna nem seus mandatários compareceram ao Tribunal, apesar de a intimação ter sido enviada para o seu endereço em Nova York.

Os outros questionados, entretanto, compareceram ao tribunal e disseram que a Planeta Plus, como entidade comercial, fechara um contrato com os promotores americanos de Madonna e se comprometera a tratar a parte técnica do concerto sem mexer com seus detalhes artísticos nem ideológicos, segundo informou a agência Rapsi.

As organizações sociais objetaram, dizendo que, conforme a legislação vigente, a empresa Pavilhão de Esportes de São Petersburgo deveria ter garantido o devido controle de acesso e era responsável por aquilo que acontecera no território do complexo.

No julgamento, um dos representantes das organizações, Aleksandr Nedochivin, insistiu que Madonna havia promovido valores estranhos aos russos.

"Esse foi um atentado contra os princípios morais, valores familiares dos russos e a ordem social", disse Nedochivin.

"Muitas crianças assistiram, algumas presencialmente na sala, outras via internet, ao show de Madonna, em que ela promoveu os valores homossexuais", completou.

"A promoção da homossexualidade fará com que a taxa de natalidade venha a diminuir, o país não tenha quem trabalhe e mergulhe em uma crise econômica e sociopolítica, que atingirá sobretudo os aposentados", disse Nedochivin, que foi citado pelo jornal on-line Gazeta.ru.

Os promotores do show disseram, no entanto, que não tinham tido a oportunidade de influenciar no programa do concerto e que avisaram ao público que o show era voltado para maiores de 18 anos. Por essa razão, não podiam ser acusados de violar a lei da proteção das crianças contra a promoção do homossexualismo. Além disso, aqueles que usavam pulseiras cor de rosa faziam isso por sua conta.

Após cinco horas de audição, o juiz Barkóvski rejeitou as demandas e condenou os autores a pagar as custas processuais e as despesas suportadas pelos promotores do show. A parte vencida pretende entrar com recurso em instância superior.

"Não estamos satisfeitos com a decisão do juiz e vamos interpor recurso ao Tribunal Municipal de São Petersburgo, porque não deixamos de considerar que o fato de promoção da homossexualidade entre os menores de idade presentes no concerto de Madonna ocorreu", disse Daria Dedova, assessora de imprensa de um da Central Sindical dos Cidadãos Russos.

"Não é segredo que, hoje em dia, uma instituição social tão importante quanto a família está sendo atacada. Um dos principais argumentos é que houve a tentativa de promoção de valores contrários a nossa mentalidade, entre os quais a sodomia e lesbianismo", salientou a responsável.

As empresas afirmaram estar satisfeitas com a sentença.

"Estamos satisfeitos, a sentença está completamente de acordo com a lei, e não planejamos interpor recursos", disse o advogado da Planeta Plus, Artem Dikarev, em entrevista à Gazeta.ru.

Reportagem combinada com materiais dos veículos Gazeta.ru, Rapsinewsd e Kommenrsant

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