Rússia alerta contra mísseis da Otan na fronteira síria

Autoridades russas criticam pedido turco de mísseis e afirmam que isso “não ajudará a promover estabilidade na região”.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia aconselhou nesta quinta-feira (22) contra a intenção da Turquia de implantar mísseis Patriot da Otan em sua fronteira com a Síria.

“A militarização da fronteira turco-síria poderia ser um sinal alarmante”, disse o porta-voz do ministério, Aleksandr Lukachevitch. “Isso não contribuiria em nada para promover a estabilidade na região.”

“Nosso conselho aos colegas turcos é usar sua influência sobre a oposição síria para estimular o diálogo, em vez de tomar um caminho perigoso”, acrescentou.

Lukachevitch também negou relatos da imprensa russa de que o chanceler da Rússia, Serguêi Lavrov, estava planejando se encontrar com a oposição síria no próximo dia 26.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse também na última quarta-feira que o pedido da Turquia para implantar os mísseis seriam avaliados em breve. Ankara justifica a necessidade do sistema de mísseis para proteger sua fronteira dos conflitos na Síria.

Os mísseis superfície-ar norte-americanos Patriot foram utilizados pela Turquia em 1991 e 2003, durante a duas guerras do Golfo.

O país abriu fogo várias vezes nas últimas semanas por toda a sua fronteira com a Síria, em retaliação aos bombardeios sírios que mataram cinco civis turcos em outubro. Também forneceu abrigo para os refugiados da violência na Síria e tem sido um dos críticos mais severos do presidente Bashar al-Assad, durante a revolta de quase 17 meses contra seu governo.

As tensões entre a Turquia e a Síria ficaram mais acentuadas no último verão depois de Damasco abater um caça turco que violou seu espaço aéreo. A Turquia ameaçou com represálias se houvesse qualquer repetição do incidente, embora admitindo que o avião tinha sido equivocadamente desviado em direção à Síria.

O conflito sírio já custou milhares de vidas desde o início da revolta contra Assad em março de 2011, de acordo com vários grupos da oposição.

A Rússia, juntamente com a China, foram duramente criticadas pelo Ocidente por se recusarem a aprovar as sanções da ONU contra o regime de Assad, o único aliado que Moscou ainda mantém no mundo árabe.

Segundo as autoridades russas, as resoluções da ONU propostas eram meramente favoráveis aos rebeldes e não promoveriam qualquer iniciativa de paz.

Pútin prometeu no início deste ano não permitir a repetição da “situação na Líbia”, na qual a campanha militar da Otan gerou a queda e assassinato do ditador líbio de longa data Muammar Gaddafi. Moscou negou estar apoiando Assad no conflito e diz que irá respeitar a vontade do povo sírio.

Publicado originalmente pela agência RIA Nóvosti

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