Documentário russo ganha prêmio em Portugal

O documentário russo "Winter, Go Away!" (Inverno, vá embora!, em tradução livre), realizado por um grupo de estudantes da escola Marina Razbejkina e seu estúdio de cinema documental de cinema, ganhou o prêmio de melhor filme de estreia na 6ª edição do Festival de Internacional de Cinema Lisboa & Estoril, em Portugal.

O documentário russo "Winter, Go Away!" (Inverno, vá embora!, em tradução livre), realizado por um grupo de estudantes da escola Marina Razbejkina e seu estúdio de cinema documental, ganhou o prêmio de melhor filme de estreia na 6ª edição do Festival de Internacional de Cinema Lisboa & Estoril, em Portugal.

"Winter, Go Away" estreou internacionalmente no Festival de Locarno no verão deste ano e foi um grande sucesso de público, razão pela qual teve várias exibições extras.

Agora, o filme viaja pelo mundo.

Cenas dedicadas ao grupo de punk feminista Pussy Riot e sua performance na Catedral de Cristo Salvador despertaram especial interesse no público estrangeiro. De acordo com os produtores, inicialmente, eles não planejavam incluir as cenas da performance em sua obra porque a gravação durava poucos segundos e as garotas foram retiradas da igreja rapidamente pela segurança. Naquele momento, ninguém esperava que a história tivesse uma ampla repercussão e um desfecho tão duro.

Agora, as cenas dedicadas ao Pussy Riot viraram hit e foram exibidas na cerimônia de entrega do prêmio no encerramento do evento. Enquanto a comunidade cinematográfica russa continua discutindo sobre a natureza oposicionista, ou contrarrevolucionária, do filme, no exterior, ele não deixa dúvidas e é encarado como um ato muito audacioso. No festival, as discussões foram pautadas pelas perguntas sobre se os autores tiveram problemas com a polícia e medo de fazer um filme como esse.

No entanto, a julgar pela reação da plateia, o público aprecia mais o aspecto carnavalesco do filme do que lhe confere uma originalidade especial.

Outros prêmios

O filme "Student", de Darezhan Omirbaiev, do Cazaquistão, inspirado em "Crime e Castigo", de Dostoiévski, levou o prêmio especial do júri no festival.

Esse é a terceira obra do diretor cazaque inspirada na literatura clássica russa. As duas primeiras foram "Anna Karenina" e "Sobre o Amor". A história de “Student” se desenrola no Cazaquistão atual e se afasta bastante do texto original, colocando os personagens em um cenário minimalista.

Trata-se do filme mais político do diretor cazaque, que equipara o crime cometido pelo personagem cinematográfico ao assassinato do presidente Kennedy perpetrado por Lee Harvey Oswald e dedica o monólogo final às agressões contra países pacíficos.

Um total de 11 filmes foram selecionados para concorrer na mostra competitiva. O princípio do festival era se afastar da trilha batida e soluções óbvias e não julgar as obras com base "no consenso entre o júri e os críticos de cinema". Portanto, especial atenção foi dispensada aos filmes que estrearam fora do programa das maiores mostras internacionais de cinema.

O filme "L'Intervallo", de Leonardo di Constanzo, foi o grande premiado em Portugal. O longa conta a história de dois adolescentes que acidentalmente viram reféns da máfia napolitana (um dos roteiristas trabalhou em "Gomorra").

O júri foi composto pela atriz Fanny Ardant, pela violoncelista Sonia Wieder-Atherton e pelo pianista austríaco Alfred Brendel, entre outros.

O Festival de Internacional de Cinema Lisboa & Estoril foi idealizado há seis anos pelo famoso produtor português Paulo Branco, cuja filmografia inclui mais de 200 títulos, entre os quais o "Amor de Perdição", de Manoel de Oliveira, que deu início à sua longa colaboração.

Publicado originalmente pelo Gazeta.ru

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