Rota do Mar do Norte é novo trajeto para tráfego comercial internacional

Foto: rosatomflot.r

Foto: rosatomflot.r

A Rota do Mar do Norte é o trajeto mais curto entre o Pacífico e o Atlântico, tem uma extensão de 5.600 km passando pelas águas árticas entre o Estreito de Kara e a Baía de Providência. O tráfego comercial internacional pela Rota do Mar do Norte começou em 2009. Em 2012, segundo dados de 15 de outubro, foram feitas 38 viagens transportando 1,03 milhão de toneladas de carga

Os exportadores de combustível da Coreia do Sul estão testando um novo trajeto rumo aos consumidores europeus.

Trata-se da Rota do Mar do Norte, uma nova opção de trajeto para o tráfego comercial internacional. Nos tempos soviéticos, ela estava fechada aos estrangeiros –na época de perestroika, por exemplo, observou uma queda de quase 100% até mesmo no trafego doméstico.

Em comparação com a rota tradicional através do Canal de Suez, o transporte de produtos petrolíferos pela Rota do Mar do Norte proporciona uma economia de cerca de US$ 500 mil por navio, dizem atores do mercado. Ela é três vezes mais curta do que o trajeto através do Canal de Suez, reduzindo  a duração da viagem pela rota de referência Rotterdam–Yokohama de uma média entre 35 a 38 dias para algo entre 20 a 23 dias.

A prática de conduzir navios de grande porte pela Rota do Mar do Norte por um quebra-gelos foi retomada só em 2010. Logo, qualquer passagem de cargas feita por ali implica hoje determinados riscos e pode ser vista como experimental.

Entre julho e setembro de 2012, o porto finlandês de Porvoo recebeu 129 mil toneladas de gasolina de aviação  produzida pela refinaria petrolífera de Yeosu, da empresa GS Caltex, na Coreia do Sul. A carga foi trazida por três navios petroleiros –Stena Poseidon, Marika e Palva–, conduzidos por quebra-gelos atômicos russos.

Melhor caminho

"O oceano Atlântico é, antes de tudo, um local de tempestades e o Golfo de Áden sofre com a pirataria", esclarece o diretor da parceria sem fins lucrativos para a coordenação do uso da Rota do Mar do Norte, Vladímir Mikhailichenko, comentando as vantagens do percurso ártico.

Se você quiser evitar um encontro com piratas, deverá contornar a África e terá sua viagem aumentada para 45 dias. Logo, o trajeto norte permite economizar tempo e dinheiro. O acompanhamento por quebra-gelos é obrigatório e é comparável em valor com a passagem pelo Canal de Suez. Mesmo com o seguro  caro, eliminar o risco de ser atacado por piratas nas rotas do sul compensa, adianta Mikhailichenko.

“O principal obstáculo ao uso da Rota do Mar do Norte eram as altas tarifas e não o gelo” diz , completa Mikhailichenko.

Se no Canal de Suez a tarifa é mantida há muitos anos na faixa de US$ 5 por tonelada, na Rússia, a tarifa chegava a US$ 30. A situação mudou em 2010, quando o governo russo estabeleceu o nível limite de tarifa e permitiu diminui-la quando da conclusão de um contrato de condução de uma embarcação. Como resultado, de acordo com participantes do mercado, a tarifa média se mantém na faixa de US$ 4 a US$ 5 por tonelada e o tráfego aumentou 5,5 vezes em 2011.

Um levantamento realizado por Mikhailichenko, e que teve como amostra 15 embarcações de grande porte, mostra que a viagem pela Rota do Mar do Norte leva entre 7 e 22 dias, dependendo das condições meteorológicas e da situação no percurso. A manutenção diária de um petroleiro custa entre US$ 40 mil e US$ 50 mil. Portanto, o transporte de cargas realizado por petroleiros pela Rota do Mar do Norte proporciona uma economia de cerca de US$ 500 mil por navio.

Finalidade

"Mas qual foi o sentido de transportar o combustível de aviação da Coreia do Sul, que exporta  85% de seu combustível para o Pacífico Asiático, para o mercado europeu? É pouco provável que os três navios tenham tido unicamente essa missão", indagam especialistas da agência Petroleum Argus.

Para Mikhailichenko, os petroleiros tiveram uma missão dupla. O petroleiro Palva deixou o combustível no porto de Porvoo e levou de volta para a Coreia do Sul uma carga de condensado de gás natural. Os navios Stena Poseidon e Marika pegaram uma carga de gás condensado produzido pela empresa russa Novatek em Murmansk e se deslocaram à China.

O transporte de combustível é responsável pela maior parte do tráfego comercial internacional pela Rota do Mar do Norte, enquanto o transporte de contêineres, carvão e metal também tem boas perspectivas, acredita o analista do InvestCafe, Andrêi Chenk. Para que a Rota do Mar do Norte se torne atrativa, é preciso atualizar a frota de quebra-gelos para garantir a navegação durante todo o ano.

Até 2020, o governo planeja construir três quebra-gelos diesel de pequeno porte no valor total de 25 bilhões de rublos (cerca de US$ 790 milhões) e um novo quebra-gelos atômico no valor de 20 bilhões (cerca de US$ 630 milhões). Além disso, até 2015, a Rússia pretende instalar ao longo da Rota do Mar do Norte 10 centros de resgate (o investimento é estimado em € 23,4 milhões) e atualizar sua frota de aeronaves nas estações árticas (10 helicópteros e oito aviões) e mapas marítimos.

Nota informativa


A Rota do Mar do Norte é o trajeto mais curto entre o Pacífico e o Atlântico,  tem uma extensão de 5.600 km passando pelas águas árticas entre o Estreito de Kara e a Baía de Providência. O tráfego comercial internacional pela Rota do Mar do Norte começou em 2009, quando dois navios usaram esse trajeto para transportar 643 mil toneladas de carga. Em 2010, quatros navios, com 111 mil toneladas de carga, passaram por essa rota. Em 2011, foram realizadas 34 viagens de trânsito com o transporte de 820 mil toneladas de carga e, em 2012, segundo dados de 15 de outubro, 38 viagens, transportando 1,03 milhão de toneladas de carga. Segundo previsões do Ministério dos Transportes da Rússia, em 2020, o tráfego de cargas pela Rota do Mar do Norte atingirá 64 milhões de toneladas.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.