País alcança sétima posição no mercado mundial de café

Foto: Lori / Legion Media

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Para muitas pessoas no mundo inteiro a frase “bom dia” só faz sentido depois de uma xícara de café. Na Rússia, até recentemente, não era bem assim. E não porque conseguir um bom café tenha sido um grande problema na antiga URSS. O problema é que, durante séculos, a principal bebida revigorante não alcoólica no país foi o chá, importado da China e da Índia, países menos distantes do que o Brasil, por exemplo.

Mas as coisas mudaram. O número de cafeterias nas cidades russas aumentou, graças à chegada de redes varejistas internacionais como Starbucks e Costa Coffee e ao aumento de renda da população. Isso provocou um enorme crescimento do mercado de café na Rússia, que chegou aos US$ 2,2 bilhões no ano passado. 


Como resultado, o país subiu para a sétima posição no ranking dos países de maior consumo da bebida por habitante. A consultoria Euromonitor estima que esse mercado deva crescer 5% ao ano na Rússia até 2016.


Apesar da ampla gama de variedades e marcas, a maioria dos russos ainda se orienta pelo preço, e não pela qualidade do produto na hora da compra. “Nosso mercado ainda é muito jovem, e a cultura de consumo de café não é tão desenvolvida”, explica Ramaz Chantúria, diretor-geral da Associação Roschaikofe (Chá e Café Russos). 

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“Se aumentarmos o preço, o consumidor russo optará logo por um produto mais barato e de pior qualidade ou desistirá completamente de consumir café”, completa.


De acordo com a Associação dos Países Produtores de Café, a Rússia mantém a liderança mundial no consumo de café instantâneo, com 57 mil toneladas por ano. Os britânicos, por exemplo, consomem cerca de 30 mil toneladas da bebida instantânea por ano, enquanto os japoneses, entre 28 e 29 toneladas. 

Números

26 por cento do valor dispendido pelo mercado russo em importação de café vai para o Brasil. Em volume, 
a cifra é de 23%.

68 por centodo mercado russo de café é ocupado pela vertente “instantâneo”, que caiu de 10% a 15% após fim de taxa sobre café verde.

80 por cento do café torrado e moído, e 50% do café solúvel são processados internamente. Líderes de processamento e venda são a Kraft, a Nestlé e a Paulig. 


O crescimento do mercado russo deverá ser impulsionado pela venda de café natural. 


“As pessoas provam e sentem a diferença de sabores”, diz Aleksandr Kolkov, diretor-geral na Rússia do grupo finlandês Paulig, segundo maior fornecedor de café torrado no país. Há dez anos, a participação de café instantâneo no mercado russo era de 10% a 15% maior que os atuais 68%. A fatia restante do mercado é ocupada pelo café em grãos.


Segundo Chatúria, outra tendência importante observada no país é o surgimento de empresas especializadas em processamento e embalagem do produto acabado. Com o fim do imposto sobre a importação de café verde há alguns anos, esse se tornou economicamente mais rentável para compra. 


Praticamente todos os grandes players do mercado russo possuem fábricas de processamento e embalagem de café no país. Hoje, o produto processado internamente representa mais de 80% do segmento de café torrado e moído e mais de 50% do de café solúvel. 


Os líderes no processamento e venda de café na Rússia são a Kraft Foods Inc., dos Estados Unidos, a Nestlé SA, da Suíça, e a Paulig, embora o consumidor russo continue associando o produto ao país onde o grão é cultivado. A combinação das palavras “café” e “brasileiro” é considerada quase uma expressão idiomática na Rússia, onde a participação do Brasil no mercado de café atinge quase 26% em valor e 23% em volume. 


Segundo Serguêi Sivkov, proprietário do café Lukafe, em Moscou, a maioria de seus clientes passou a considerar o café como uma bebida para acompanhar o lanche. “As cafeterias servem uma bebida que dificilmente pode ser chamada de bom café, independentemente do preço cobrado. Existem diferentes maneiras de preparo. Muito depende da qualidade do produto, da máquina e, naturalmente, do barista”, diz Sivkov. 


“Não vale a pena transformar o café em bebida de elite”, completa o empresário. 


Previsões 


Em um futuro próximo, no entanto, o mercado de café russo pode ser submetido a duras provações. Devido à quebra de safra de café no Brasil, o mercado internacional segue cambaleante e a Rússia não é exceção. Especialistas esperam um aumento de preços em torno de 5% até o final deste ano. 


Uma alta maior é impedida pelo perfil da demanda e a predominância do café solúvel. O custo do café em grão não ultrapassa a faixa dos 15% a 20% acima do preço de custo de um café solúvel de qualidade média. O resto são tarifas e custos de processamento, embalagem e logística. 


Outro fator que influencia é a desvalorização da moeda nacional, já que a matéria-prima é importada. 


A Rússia não cultiva café, e especialistas receiam que, devido à alta dos preços, o café “arábica” possa migrar do mercado russo para a China.


Assim, os russos teriam que se contentar com o café “robusta”, de origem vietnamita, mais barato e menos saboroso. 

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