Agência Espacial russa terá departamento para coordenar atividades de empresas do setor no exterior

Foto: flickr / nasa hq photo

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Planos da Roskosmos causaram grande preocupação nas empresas do setor espacial nacional; muitas delas já têm uma estrutura bem desenvolvida para operar em mercados estrangeiros.

A Agência Espacial russa (Roskosmos) terá uma estrutura especial para coordenar as atividades de empresas do setor espacial do país no mercado internacional.

"O departamento de cooperação internacional criado no âmbito da Roskosmos irá coordenar as atividades internacionais das empresas do setor espacial nacional", disse em entrevista ao Izvéstia o presidente da Roskosmos, Vladímir Popópvkin.

"Os primeiros exemplos disso são os projetos com a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) no âmbito do ExoMars, e os lançamentos de foguetes Soiuz a partir da base de de Kourou, na Guiana Francesa. Esses contratos já foram concluídos através da Roskosmos e não diretamente pelas empresas prestadoras de serviços", salientou Popóvkin.

Os planos de criar uma estrutura especial para coordenar os serviços de  lançamento prestados pelas empresas russas no mercado internacional haviam sido anunciados pela Roskosmos no final do ano passado.

"Nossa intenção é tirar das empresas nacionais muitas de suas funções relativas às atividades internacionais. Acho que devemos coordenar nossas ações nesse sentido. Caso contrário, correremos o risco de perder muita coisa e nossos correntes vão se aproveitar disso", disse Popóvkin no ano passado. "A concorrência no mercado doméstico entre as empresas nacionais deve ser mantida, enquanto, no mercado externo, elas não devem competir entre si", completou.

Preocupação

Os planos da Roskosmos causaram grande preocupação nas empresas do setor. Muitas delas já têm uma estrutura bem desenvolvida para operar em mercados estrangeiros. O Centro Khrunichev, por exemplo, realiza lançamentos comercias por seu veículo lançador de satélites Proton através de sua subsidiária ILS (International Launch Services), nos EUA. Já a Corporação de Foguetes Espaciais Enérguia vende, através de sua subsidiária EOL (Energy Overseas Limited), serviços de lançamento de foguetes Zenit a partir da plataforma offshore rebocada Sea Launch.

Além disso, toda uma série de pequenas empresas não controladas diretamente pelas grandes fabricantes de equipamento espacial também participa do mercado internacional. A empresa Serviços Internacionais Espaciais, por exemplo, detida 50% por Iskander Makhmudov, realiza lançamentos comerciais por meio de seu foguete Zenit a partir da base de lançamentos espaciais de Baikonur, no Cazaquistão.

A empresa mais bem sucedida no mercado internacional é o Centro Khrunichev. Seus VLS Proton são hoje muito procurados no segmento de veículos lançadores de grande porte. Neste ano, a empresa pretende faturar mais de US$ 800 milhões com lançamentos comerciais.

A EOL, com quatro lançamentos por ano, pode faturar anualmente cerca de US$ 300 milhões. De modo geral, os veículos lançadores russos dominam o mercado mundial de serviços do tipo: nos últimos anos, a Rússia tem sido recordista em número de lançamentos, com 40% a 48% do total de lançamentos realizados no  mercado internacional.

Enquanto isso, as empresas fabricantes de equipamento espacial não esperam mudanças em um futuro próximo. De acordo com o presidente da Corporação de Foguetes Espaciais Enérguia, Vitali Lopota, atualmente, sua empresa opera no mercado internacional por conta própria sem contar com apoio significativo da Roskosmos na promoção de seus produtos.

Uma fonte do Centro Khrunichev disse que a ILS manterá seu status e continuará promovendo externamente seus veículos lançadores Proton e seus novos foguetes da família Angara, cujo lançamento inaugural está previsto para meados de 2013.

Para ler o artigo na íntegra em russo, acesse http://izvestia.ru/news/539563#ixzz2CBooNkuq

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