Ministério da Defesa retoma desenvolvimento de laser de combate

“Laboratório voador” A-60. Foto: russianplanes.net

“Laboratório voador” A-60. Foto: russianplanes.net

Projeto de aparato capaz de destruir aeronaves, satélites e mísseis balísticos será reiniciado em 2013.

Rússia retomou o desenvolvimento de um laser de combate após um intervalo de dois anos, informou uma fonte da indústria militar citada pelo jornal “Izvéstia” nesta terça-feira (13).

O Ministério da Defesa russo encarregou três empresas nacionais do desenvolvimento de um laser para destruir aeronaves, satélites e mísseis balísticos. Os trabalhos terão início em 2013.

Entre as empresas envolvidas no projeto estão o grupo de aeronáutica Beriev, de Taganrog, responsável pela modernização do “laboratório voador” A-60. Este laboratório era usado desde 1991 para testes de uma arma capaz de neutralizar os sistemas óticos de mísseis autoguiados. Devido à falta de financiamento, esses trabalhos foram oficialmente suspensos em 2011.

Segundo um representante da Beriev, o laboratório será totalmente modernizado ao longo do próximo ano, paralelamente à instalação de novos componentes do dispositivo a laser.

Diferentemente do protótipo anterior, 1LK222 (Sokol-Eshelon), cuja função era desativar temporariamente os sistemas ópticos de satélites orbitais, o novo poderá “queimar o inimigo com altas emissões de energia térmica”.

“Os lasers são uma arma promissora para instalação em dispositivos aéreos hipersônicos não tripulados ou plataformas especiais”, afirma o representante.

As empresas que desenvolveram o 1LK222, Khimpromavtomatika (Voronej) e Almaz-Antei (Moscou), nunca deixaram de fazer experiências com vários componentes e sistemas a laser, motivo pelo qual sua versão terrestre está quase pronta.

As condições aéreas, no entanto, são muito diferentes. Além disso, ainda não se sabe qual será o futuro veículo do novo laser, se um avião de transporte ou um caça-bombardeiro.

O especialista russo Aleksandr Konovalov, diretor do Instituto de Avaliações Estratégicas, acredita que “o laser é uma arma muito instável, sensível às condições climáticas e perde muita energia por causa da nebulosidade”.

“Não acredito em seu eficiência no futuro próximo, se forem instalados a bordo de naves marítimas ou espaciais”, completa.

Por outro lado, o analista militar Anton Lavrov acha que “haverá algum progresso, pois se fala em destruir mísseis”.

“Em 1991, a Rússia apresentou algum progresso em relação os EUA nessa área e o atual atraso é menos dramático do que em outros campos da defesa”, acrescenta.

Os EUA vinham desenvolvendo um laser de combate a bordo do Boeing 747-400F, mas desistiram do projeto em 2011 por seu alto custo e inviabilidade.

Publicado originalmente pela RIA Nóvosti

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