Militares russos utilizam focas em missões de reconhecimento

Monumento de foca em Arkhangelsk. Foto: wikipedia.org

Monumento de foca em Arkhangelsk. Foto: wikipedia.org

Animais são capazes de levantar objetos submersos de grandes profundidades, detectar vazamentos de gás e salvar marinheiros em perigo de afogamento; treinamento é feito pelo Instituto de Biologia Marinha de Murmansk.

Militares russos estão avaliando os exercícios de um destacamento de forças especiais navais composto por membros um tanto quanto peculiares na baía de Kola, na região ártica da Rússia: as focas.

Onde as capacidades humanas e os equipamentos militares são limitadas, focas especialmente treinadas permitem executar determinadas tarefas.

É difícil imaginar que as focas são capazes de vigiar e proteger locais estratégicos e, em caso de necessidade, facilmente neutralizar intrusos. Mas elas conseguem não só encontrar um alvo submerso, como determinar de que objeto se trata. Além disso, também são capazes de levantar objetos submersos de grandes profundidades, detectar vazamentos de gás e salvar marinheiros em perigo de afogamento.

Tudo isso e muitas outras coisas é ensinado por cientistas às focas harpas,  cinzentas, barbudas, baleias brancas e aneladas, conta Guennadi Matishov,  diretor do Instituto de Biologia Marinha de Murmansk, membro da Academia de Ciências da Rússia.

"Eas aprendem muito rapidamente. Se começarmos com animais muito jovens, em dois meses elas já executam qualquer comando", diz Matishov.

Treinamento

O programa de treinamento da unidade de forças especiais do Instituto de Biologia Marinha de Murmansk foi lançado há mais de 30 anos.

Recentemente, devido ao desenvolvimento do Ártico, um enorme interesse em tais estudos surgiu em todo o mundo. Agora, nos campos de testes do instituto na baía de Kola encontram-se dezenas de focas. Cientistas e treinadores estão estudando o comportamento destes animais e elaborando os programas de exercícios.

Como os campos eletromagnéticos, de ruídos e de vibrações das próprias focas são sutis, é possível que microprocessadores sensíveis, usados para receber informações e controladas por satélite, sejam instalados nos animais. Para o  Ártico, região pouco estudada, mas rica em diferentes tipos de fontes energéticas, tais biotecnologias se tornam muito relevantes, destaca o vice-diretor do Instituto de Biologia Marinha de Murmansk, Pavel Makarevich.

"Posso dizer com confiança que no Ocidente não há trabalhos análogos ou, pelo menos, são tão secretos que não são relatados. Estou convencido de que estamos liderando nesta área da biotecnologia", diz.

Após a avaliação dos exames, todos as focas foram consideradas aptas. Os militares avaliaram seus resultados como bons e, em alguns casos, até excelentes.

Publicado originalmente no site da rádio Voz da Rússia

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