Rússia usará fator islâmico para auxiliar em impasse na Síria

Ministro do Exterior russo Sergêi Lavrov (à esq.) em conferência de imprensa conjunta após conversações com o ministro das Relações Exteriores da Jordânia Nasser Djodo. Foto: mid.ru

Ministro do Exterior russo Sergêi Lavrov (à esq.) em conferência de imprensa conjunta após conversações com o ministro das Relações Exteriores da Jordânia Nasser Djodo. Foto: mid.ru

Em uma situação em que a maioria dos países ocidentais se pronuncia a favor da derrubada incondicional do regime de Bashar Assad, a única margem de manobra existente é o Oriente Médio.

Durante viagem pelo Oriente Médio, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que fará o possível para colocar em ação o fator islâmico na tentativa de pacificar a Síria. Lavrov já visitou o Egito e a Jordânia, onde, na última terça-feira (6), teve encontros com autoridades locais e representantes da oposição síria. Na sexta-feira e no sábado, o ministro estará na Arábia Saudita.

Em uma situação em que a maioria dos países ocidentais se pronuncia a favor da derrubada incondicional do regime de Bashar Assad, a única margem de manobra existente é o Oriente Médio.

"Apesar das recomendações insistentes de Moscou, atores regionais influentes como Irã e Arábia Saudita não foram convidados para a reunião de Genebra", disse o chefe da delegação permanente do Conselho da Federação (senado russo) na APA (Assembleia Parlamentar Asiática), Rudik Iskujin. "Sem eles será muito difícil resolver a crise", salientou.

Uma participação mais ativa desses países na solução do problema sírio permitiria aproximar as posições de xiitas e sunitas. Enquanto isso, o Irã apoia o regime de Assad, enquanto a Arábia Saudita continua ajudando a oposição, fornecendo-lhe armas através da Turquia.

"Os signatários do acordo de Genebra prometeram fazer o possível para obrigar a parte com a qual se comunicam a dar fim à luta  armada e a se sentar à mesa de negociações. A Rússia está cumprindo sua promessa", disse Lavrov, durante sua visita ao Cairo.

"No entanto, alguns países continuam dando apoio à oposição, exortando-a a lutar até a vitória. Naturalmente, nessas circunstâncias, é impossível dar fim ao derramamento de sangue", completou.

“Quarteto islâmico”

Na Jordânia, Lavrov se reuniu com o líder palestiniano Mahmoud Abbas, o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, o membro do bureau político do Hamas, Mashaal Moussa Abu Marzouk, e o ex-primeiro-ministro e um dos líderes da oposição síria, Riyad Hijab.

No Egito, o ministro ouviu do presidente Mohammed Mursi a proposta de criação de um "quarteto islâmico" para tratar da situação síria, composto por Egito, Irã, Arábia Saudita e Turquia.

Quase ao mesmo tempo, o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, lançou a iniciativa de criar dois trios de paz: um composto por Turquia, Rússia e Irã e o outro por Turquia, Irã e Egito.

"Saudaremos qualquer formato se ele for capaz de ajudar a encontrar uma solução negociada para o conflito", disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Bogdanov.

Cético

O membro do conselho científico do Centro Carnegie de Moscou, Aleksêi Malachenko, está cético em relação às iniciativas do Egito e da Turquia nas mediações do conflito.

"Elas parecem boas, mas são uma espécie de meia-medida depois que as principais forças fracassaram. Não passam de um conjunto de meras declarações", disse o especialista.

Em sua opinião, a Síria não vai trabalhar com todos esses "quartetos e trios".

"Sem o envolvimento de atores tão importantes quanto os EUA e os principais países europeus, nenhum acordo será alcançado”, completou Malachenko.

Para ver o artigo na íntegra em russo, acesse http://izvestia.ru/news/539057

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.