Após falências, mercado aéreo de baixo custo ensaia retomada na Rússia

Foto: Flickr / OsdPhoto.com

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Comissão do governo para a concorrência e desenvolvimento de pequenas e médias empresas cobrou de ministérios estímulos ao mercado de transporte aéreo e a criação de condições para o desenvolvimento do transporte de baixo custo.

A falência da companhia aérea de baixo custo russa Avianova e sua congênere Sky Express no ano passado parecia apontar, ao menos em uma perspectiva de curto prazo, para o fim das companhias deste segmento na Rússia.

"As empresas low cost propriamente ditas são inviáveis na Rússia devido às limitações decorrentes da infraestrutura disponível e lacunas na legislação", disse, em entrevista ao Kommersant no ano passado, o último diretor da Avianova, Konstantin Teterin.

A situação seguiu assim até meados de outubro passado, quando a comissão do governo para a concorrência e desenvolvimento de pequenas e médias empresas, presidida pelo primeiro vice-primeiro-ministro, Ígor Chuválov, solicitou aos ministérios do Transportes, do Desenvolvimento Econômico, do Serviço Federal Antimonopólio e ao Serviço Federal para as Tarifas a elaboração de medidas que estimulem a concorrência no mercado de transporte aéreo e criem condições para o desenvolvimento do transporte de baixo custo mediante, inclusive, a atração de empresas estrangeiras.

Grandes empresas

No fim de outubro, a EasyJet, uma das maiores companhias britânicas, anunciou a intenção de operar, a partir da primavera de 2013, dois voos diários na rota Londres-Moscou, a preço mínimo de cerca de 6500 rublos (cerca de US$ 200). Para medida de comparação, para março próximo, a Aerfolot, uma das maiores aéreas russas, a também britânica British Airway e outras grandes empresas oferecem passagens por mais de 11 mil rublos (cerca de US$ 350). Até a Air Baltic e Lufthansa, que oferecem passagens com conexão, cobram cerca de 9000 rublos (cerca de US$ 280).

Ainda sem data definida, a EasyJet também tem planos de operar trechos domésticos na Rússia. Recentemente, a Ryanair, maior empresa aérea de baixo custo da Europa, anunciou a intenção de voar o trecho Dublin-Moscou.

A Aeroflot também anunciou que, dentro de um ano, terá uma subsidiária de baixo custo e que, para isso, serão necessárias algumas emendas à legislação nacional.

Além disso, o diretor-geral da empresa, Vitali Saveliev, prometeu a Vladímir Pútin que abdicaria do monopólio sobre 34 voos internacionais.

O ministério dos Transportes expressou imediatamente a esperança de que o projeto de lei das passagens não reembolsáveis, um dos pilares das empresas de baixo custo, fosse encaminhado à Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo) até o final deste ano.

Ninguém, no entanto, se atreveu a acusar diretamente a Aeroflot e outras grandes companhias aéreas de terem contribuído para que as primeiras empresas de baixo custo russas encerrassem suas operações.

Ao Kommersant, Teterin, que esteve junto de outros entusiastas na origem das primeiras empresas do tipo no país, mencionou que, na Rússia, existe um "ambiente econômico em que qualquer grande empresa tem alavancas de influência".

Em recente entrevista ao Kommersant, o vice-presidente do Banco do Comércio Exterior da Rússia, Sergei Vasiliev, disse que o país deve aumentar a "conectividade aérea" entre suas regiões, lembrando que, na URSS, isso era possível graças aos preços baixos das  passagens aéreas.

"Será impossível levar investimentos para cidades do interior do país se aviões não voam até lá", salientou.

Publicado originalmente pelo jornal Kommersant

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