"Principal risco da privatização é o eventual agravamento da situação econômica global", diz o chefe da estatal Russian Technologies

Serguêi Tchêmezov  Foto: rostechnologii.ru

Serguêi Tchêmezov Foto: rostechnologii.ru

Sobre a possibilidade da listagem da companhia no mercado de ações, Tchêmezov afirmou que “neste momento, não podemos vender bem ações de nossa empresa. Por isso, em um futuro próximo, não vamos ofertar nada no mercado internacional”.

Em entrevista ao portal Gazeta.ru, o presidente da corporação estatal Russian Technologies (Rostecnologuia), Serguêi Tchêmezov, falou, entre outras coisas, sobre a próxima reorganização da empresa e dos planos de cooperação internacional.

“Há muito tempo nos preparávamos para o IPO (oferta pública inicial de ações). Nossa empresa está pronta para isso. Porém, o mesmo não pode ser dito sobre o mercado: neste momento, não podemos vender bem ações de nossa empresa. Por isso, em um futuro próximo, não vamos ofertar nada no mercado internacional”, afirmou.

Gazeta.ru:O que está exatamente previsto no memorando assinado entre a corporaçãoVSMPO-Avisma (a maior produtora de titânio russa e mundial) e a empresa Boeing em 30 de outubro?

Serguêi Tchémezov: O documento prevê a ampliação da cooperação no fornecimento de titânio e o aumento das capacidades de uma joint venture nos Urais, a Ural Boeing Manufacturing (UBM), para melhorar o tratamento dos trem de pouso para as aeronaves Boeing 737. Também estão previstos investimentos adicionais no desenvolvimento da empresa no valor de US $ 12 milhões. As partes continuarão colaborando na área de pesquisa e desenvolvimento, em particular na busca de novas ligas e tecnologias.

G.R:À luz do novo memorando, quais são as perspectivas da VSMPO-Avisma? Quando a empresa será listada no mercado internacional de ações?

S.T: Há muito tempo nos preparávamos para o IPO (oferta pública inicial de ações). Nossa empresa está pronta para isso. Porém, o mesmo não pode ser dito sobre o mercado: neste momento, não podemos vender bem ações de nossa empresa. Por isso, em um futuro próximo, não vamos ofertar nada no mercado internacional.

G.R:O senhor acha possível que a empresa tenha novos parceiros estratégicos?

S.T: Talvez. Empresas especializadas em fabricação de componentes aeronáuticos se declararam interessadas. Nesse contexto, o projeto de zona econômica especial, que está sendo implantado no distrito de Salda, na região de Sverdlovsk, visa a atrair empresas internacionais focadas em produtos de titânio, como componentes para aeronaves (como chassis e trens de pouso), assim como em produtos para a construção civil. Convidamos a todos para instalar empresas no Vale do Titânio.

G.R:  A Russian Technologies define como objetivo daa suas empresas a integração à economia mundial através da criação de joint ventures no país e no exterior, como na América Latina, na Índia, na China. Há projetos específicos?

S.T: Sim, tais planos existem, mas não têm previsão para serem concretizados agora. Primeiro, devemos nos consolidar bem no mercado nacional para depois pensar na expansão internacional.

Mesmo assim, não nego a possibilidade de isso acontecer com a Helicópteros da Rússia em um futuro próximo. Pode ocorrer tanto na América Latina quanto em países asiáticos.

A holding russa mantém, há  vários anos, a liderança mundial em helicópteros de combate e está à frente de líderes internacionais, como a Bell, a Eurocopter e a Sikorsky.

G.R.:O senhor acredita que a condição de corporação estatal é ideal para a Russian Technologies concretizar seus projetos em uma perspectiva de médio prazo? Qual a sua opinião sobre a ideia de privatizar a Russian Technologies e transformá-la em uma sociedade anônima aberta?

S.T.: O principal risco enfrentado pela corporação é o eventual agravamento da situação econômica global. O problema não está apenas em possuirmos mercados importantes para nossos produtos no exterior. Uma das vertentes-chave de nossas atividades é desenvolver a cooperação com parceiros estrangeiros e criar joint ventures. A crise econômica global e os problemas da zona do euro podem ter impacto negativo sobre nossos parceiros e, portanto, sobre nossa corporação.

Além disso, precisaremos considerar a situação econômica global quando decidirmos fazer um IPO. Uma época de crise econômica não seria um momento muito bom para isso. 

As críticas lançadas contra as corporações estatais têm por base, não raro, o desejo da contraposição ao setor privado. Na verdade, as corporações estatais foram criadas para preservar, após o caos dos anos 1990, o potencial científico e produtivo do país mediante a consolidação dos recursos humanos e industriais e a centralização do sistema de gerenciamento.

A maioria dos ativos colocados sob a administração das corporações estatais se caracterizava pela baixa produtividade, altas taxas de depreciação dos bens de capital, desatualização tecnológica, envelhecimento do pessoal e outros problemas. Parte das empresas estava em difícil situação financeira ou à beira de uma crise ou falência.

A Russian Technologies tem um plano de reorganização, pensando em transformar algumas empresas dos setores civis em companhias de capital aberto. Mas para tornar esses ativos comercialmente atrativos, é preciso investir muitos esforços. Duvido que o setor privado teria concordado em fazê-lo.

Para a versão na íntegra da entrevista em russo, acesse http://www.gazeta.ru/business/2012/10/31/4835929.shtml

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