China deve retomar compra de grãos da Rússia em 2013

Foto: Lori / Legion Media

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Para especialistas, acordo dificilmente resultará na venda de grandes quantidades de trigo.

A China pretende retomar a compra de grãos da Rússia já no próximo ano, disse ao jornal Izvéstia o representante comercial da Rússia no país, Serguêi Tsiplakov. Nos anos 1990, os chineses impuseram um embargo às importações de grãos da Rússia. Segundo ele, o acordo deve ser assinado até o final deste ano.

"Para levantar este embargo, os dois países devem firmar um acordo de salvaguardas referente ao fornecimento de grãos e derivados. O Serviço Federal de Fiscalização Veterinária e Fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor) e o Departamento Geral de Qualidade, Inspeção e Quarentena da China devem assinar um memorando para normalizar as relações no comércio de grãos", disse.

O embargo às importações de grãos da Rússia e de vários outros países foi imposto pelo Ministério da Agricultura chinês em 1997 depois de detectar a presença de fungos em alguns lotes de trigo provenientes da Rússia. Agora, de acordo com Tsiplakov, o "trigo oferecido pela Rússia a seus clientes é saudável.”

A necessidade da China de grãos importados pode ser explicada pelo aumento do consumo de carne no país, que provocou a redução das áreas cultiváveis, afirma Tsiplakov. Segundo especialistas, a tendência de aumento das compras externas de grãos pelos chineses é de longo prazo. Atualmente, a China compra trigo do Canadá e dos EUA em quantidades pequenas, que não superam dois milhões de toneladas por ano, mas que aumentam ano a ano.

"A China está interessada em diversificar suas fontes de fornecimento de grãos, enquanto a Rússia quer entrar no mercado chinês", afirma Tsiplakov.

Nenhuma previsão de números das vendas foi divulgada. Segundo Tsiplakov, em uma primeira etapa, a quantidade anual exportada será pequena. Para ele, no início, o importante é entrar no mercado e estabelecer contatos para, depois,  aumentar as vendas.

Perspectivas

A Companhia Unificada de Grãos, apontada pelo representante comercial da Rússia na China como principal candidata a ocupar um nicho no mercado de grãos chinês, não quis comentar as declarações. Especialistas, entretanto, não compartilham o entusiasmo russo.

O diretor do Instituto de Estudos do Mercado Agrícola (IEMA), Dmítri Rilko, acredita que, em um futuro próximo, o acordo dificilmente resultará na venda de grandes quantidades de trigo. O principal obstáculo, para Rilko, é a elevadíssima tarifa para o transporte dos grãos. 

O Cazaquistão, vizinho que conseguiu maiores avanços em seu relacionamento com a China do que a Rússia, exportou apenas 150 mil toneladas de trigo para os chineses no ano passado, destaca Rilko.

"Há boas perspectivas para o aumento das exportações de soja cultivada no Extremo Oriente para a China, mas, antes de tudo, é preciso avaliar de forma realista nossas potencialidades e as necessidades dos chineses. Em um futuro próximo, o volume potencial das exportações de soja do Extremo Oriente pode atingir várias centenas de milhares de toneladas, enquanto a demanda anual da China por esse produto é de aproximadamente 55 milhões de toneladas", disse.

"Mesmo assim, as exportações agrícolas do Extremo Oriente russo para a China, ainda que em quantidades relativamente pequenas, seriam uma boa chance para a região em termos de atração de investimentos", completa Rilko.

Maksim Kliágin, analista da empresa gestora Finam, concorda que a falta de infraestrutura é um dos gargalos para a exportação e que o volume de trigo russo vendido irá depender da capacidade do transporte das cargas pelas ferrovias do leste do país. Em uma perspectiva de médio prazo, a Rússia pode exportar, no máximo, cerca de 25 milhões de toneladas por ano, ou seja, entre 5% e 10% do volume total das exportações.

Kliágin acredita, no entanto, haver condições para o crescimento do segmento leste do comércio de grãos.

“As regiões do Nordeste e dos Urais estão especialmente interessadas nisso. A intensificação das exportações pode  contribuir também para a estabilização do mercado doméstico de grãos e diminuir a pressão sobre o Estado, obrigado a comprar grãos para vendê-los em leilões de intervenção”, completa.

Publicado originalmente pelo jornal Izvéstia

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