A volta do Balé Nacional Russo

Viatcheslav Gordeev  no balé Dom Quixote. Foto: RIA Nóvosti

Viatcheslav Gordeev no balé Dom Quixote. Foto: RIA Nóvosti

Com turnês regulares pela América Latina, o Balé Nacional Russo tem espetáculos garantidos anualmente no Peru, na Colômbia, no México e na Venezuela. Agora, após mais de três anos sem vir ao Brasil, seu diretor Viatcheslav Gordeev quer retonar ao gigante país sul-americano.

Depois de apresentar Dom Quixote, de León Minkus, e A Bela Adormecida, de Piotr Tchaikovsky, numa turnê brasileira que passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Juiz de Fora e Salvador em 2009, o Balé Nacional Russo finalmente faz planos de retornar aos palcos brasileiros. Sua vinda está programada já para o primeiro semestre de 2013.

Solista do Balé Bolshoi por duas décadas (1968-1989) e ex-diretor artístico do mesmo, o fundador e diretor do Balé Nacional Russo, Viatcheslav Gordeev falou à Gazeta Russa sobre a volta ao Brasil, a recepção do público latino-americano e as trocas culturais entre os países.

Gordeev recebeu 14 medalhas e prêmios nacionais por sua contribuição às artes, entre eles o título de "Artista Popular da União Soviética" (1984), e a ordem de agradecimento presidencial, recebida diretamente das mãos de Vladímir Pútin  em 2004.

Além disso, teve um mandato como deputado, que terminou neste ano. "Não sou um homem político, sou um homem artístico". Confira sua entrevista à Gazeta Russa:

Gazeta Russa: O balé Gordeev retornará ao Brasil?

Viatcheslav Gordeev: Sim, nós gostaríamos de voltar ao Brasil. Infelizmente tivemos um intervalo de 3 ou 4 anos desde a última visita, mas agora tudo dará certo, porque, além da dança, é necessária uma boa organização.

Estivemos no Brasil há três anos, em 2009. Fizemos apresentações em teatros lotados em São Paulo, Brasília e outras grandes cidades. Fomos muito bem recebidos pelo público.

Claro que seria muito bom nos apresentarmos novamente em diversas cidades, mas, por enquanto, isso ainda está indefinido.

Gostaríamos de incrementar os laços culturais entre nossos países, mostrar aos brasileiros nosso balé e, possivelmente, convidar depois as companhias de dança brasileiras para virem à Rússia.

Poderíamos organizar um intercâmbio. Nós conduzimos uma função quase missionária, fazendo a história do balé russo.

GR: Como foi a experiência anterior no Brasil?

V.G.: Infelizmente, no Brasil, eu estive somente no Rio de Janeiro. Adorei a cidade, as pessoas, o tempo, as praias, os campos de futebol... Viemos com uma trupe pequena, de apenas 12 pessoas. Normalmente, saímos em turnê com 40 a 50 pessoas.

GR: E no resto da América Latina? A reação e recepção do público é muito diferente da russa?

V.G.: Além do Brasil, já estivemos em muitos outros países. Estivemos no México, no Peru, na Venezuela, na Colômbia... O público da América Latina é mais temperamental.

Somos bem recebidos por todo lado. Agora, nossa trupe está na China e todos os ingressos já se esgotaram em Xangai e em Pequim. Toda a crítica nos recebe com entusiasmo.

É um grande sucesso. Gostaríamos que o público brasileiro pudesse desta vez assistir aos nossos espetáculos em sua grandiosidade completa.

GR: O Brasil atualmente se mostra bastante interessado pela dança, e o sul do país abriga inclusive uma escola de balé filiada ao Teatro Bolshoi de Moscou. Vocês têm intenção de promover palestras e workshops no país para nossos dançarinos?

V.G.: Quando chegarmos, estamos prontos sim a dar workshops, basta haver interesse dos brasileiros.

GR: O senhor também foi deputado na Duma (câmara dos deputados na Rússia). Durante essa experiência política, o senhor pode dizer que os laços políticos e comerciais entre a Rússia e a América Latina, tão distantes, têm mais possibilidade de crescerem por meio da cultura?

V.G.: Fui deputado por 5 anos e, neste ano, deixei de sê-lo. Sou uma pessoa artística, um artista, não um deputado.

Mas, claro, as relações entre os países só podem evoluir  por meio da cultura. Tecnologia, ciência etc. são temas universais, mas a cultura é inerente a seu povo.

Temos a obrigação de intercambiar nossa cultura com outros países. Um espetáculo montado em um país sempre permanecerá como patrimônio  desse.

GR: A escola russa no Brasil prega o "Método Vagânova". O Balé Nacional Russo também utiliza esse método?

V.G.: Esse é considerado o método "russo", mas ainda há a escola moscovita. No Brasil utiliza-se o melhor da escola moscovita e peterburguense, que são todas baseadas na escola Vagânova.

GR: Existe também o Fundo Beneficente Viatcheslav Gordeev. Como ele funciona?

V.G.: Nosso fundo organiza, por exemplo, o projeto "Presenteie as crianças com balé". Por meio desse, viajamos de Moscou às mais diversas cidades, e países. Mas o dinheiro não é suficiente, porque o balé requer muito, e não temos apoio estatal.

GR: Quer deixar algum recado para o público brasileiro?

V.G.: Gostei muito do público brasileiro, adorei o Rio e gostaria muito de voltar, em primeiro lugar, para mostrar nosso balé.

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