Cientistas produzem nanotinta a partir de resíduos

Foto: Divulgação

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Os cientistas do centro de nanotecnologia da Universidade de Irkutsk, na Sibéria, produziram uma tinta de emulsão utilizando resíduos. Além da elevada resistência, a tinta apresenta custo de produção relativamente inferior a seus análogos estrangeiros.

A produção da tinta de emulsão e dispersão aquática utiliza nanomodificadores obtidos a partir de resíduos de silício, revelou à Voz da Rússia o diretor do referido centro e do Instituto de Física de Irkutsk, Nikolai Ivanov.

“No processo de produção de silício, uma tonelada do produto corresponde a 1,3 toneladas de resíduos em forma de pó que são captados por filtros e armazenados”, explicou Ivanov.

Os depósitos especiais estão cheios de toneladas de resíduos que contêm micro e nano esferas de quartzo. Os nanomodificadores produzidos a partir de esferas de quartzo podem melhorar as características físicas da tinta, de esmalte e de revestimentos de asfalto e betume.

A tinta de elevada resistência chama-se “Youcolors”. Após dois meses de testes em laboratório, foi comprovada sua alta durabilidade e resistência térmica duas vezes maior em relação à tinta comum.

“Pretendemos, até ao fim deste ano, montar a produção experimental e industrial com um volume de transformação igual a uma tonelada de resíduos por dia”, afirmou o diretor do centro.

Os serviços municipais de Irkutsk já fizeram as primeiras encomendas da nova nanotinta e utilizarão 500 kg da Youcolors em reformas de edifícios do centro da cidade.

Para 2013, há planos de organizar uma produção industrial em série, estimada em 20 toneladas por dia.

“Os nanotubos de carbono podem ser igualmente aproveitados como modificadores de metais. Utilizamos estes complementos na produção de ferro fundido”, continuou o cientista.

Segundo ele, isso permite aumentar a resistência do ferro em 30 a 40% sem que sejam incrementados os custos relacionados com a fundição. “Um quilo de tubos especiais poderá custar cerca de 2.000 dólares. No nosso caso, o seu preço é 10 vezes inferior, porque a produção está baseada em resíduos”, arrematou Ivanov.

 

Publicado originalmente pela rádio Voz da Rússia

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