Relações tecnológicas

Embaixador russo no Brasil Serguêi Akopov. Foto: Embaixada da Federação Russa em Brasília

Embaixador russo no Brasil Serguêi Akopov. Foto: Embaixada da Federação Russa em Brasília

Embaixador russo no Brasil fala com exclusividade à Gazeta Russa sobre entrada do país na OMC, cooperação dos Brics, relações bilaterais e situação na Síria.

Parceiros no Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), Brasil e Rússia só fortalecerão sua união estratégica por meio de aliança na área tecnológica.

Essa é a opinião de Serguêi Akopov, embaixador da Rússia em Brasília.

“Acredito que será dado um novo passo nessa direção no próximo encontro entre Dilma Rousseff e Vladímir Pútin [planejado para dezembro deste ano]”, afirma Akopov.

Akopov falou à Gazeta Russa com exclusividadeno último domingo (14),durante a comemoração dos 100 anos da fundação da primeira Igreja Ortodoxa Russa no Brasil, em Campina da Missões, no Rio Grande do Sul.

Além de tratar sobre as relações bilaterais entre Brasil e Rússia, a entrada do país na OMC e o conflito na Síria. Confira:  

Gazeta Russa: Recentemente a Rússia formalizou sua entrada na OMC (Organização Mundial do Comércio). Qual a sua avaliação da decisão?

Serguêi Akopov: O processo de entrada do país na OMC não foi fácil. Ainda se discute na sociedade se a Rússia deveria ou não aderir ao grupo.

Muitos afirmam que a decisão pode prejudicar a economia russa, ainda em processo de estabilização. Mas acho que o governo tomou a decisão correta.

Sabemos que haverá um período de adaptação às novas regras do jogo. Não será fácil, mas tínhamos que passar por isso. Temos a esperança de que a decisão vai contribuir para uma modernização da economia do país.

GR: E como o sr. enxerga as relações bilaterais entre Rússia e Brasil? Acredita que a relação comercial entre os países pode melhorar com a entrada na Rússia na OMC?

S.A.: Acho que a entrada da Rússia no grupo vai ter um papel muito positivo no desenvolvimento dos laços comerciais entre os dois países.

GR: A distância entre os dois países prejudica?

S.A.: As relações estão melhorando, apesar da distância. Mesmo com a crise econômica que atingiu o mundo, inclusive a Rússia e o Brasil, nosso intercâmbio comercial melhorou bastante.

No ano passado, alcançamos um volume comercial de mais de US$ 7 bilhões, um aumento considerável em relação ao ano anterior. Talvez diminua um pouco neste ano, mas a tendência é muito positiva.

Nós estamos tentando colocar em prática um objetivo dos presidentes do Brasil e da Rússia de formar uma aliança tecnológica. Uma tarefa bastante complicada devido a essa distância que você menciona e ao pouco conhecimento mútuo dos empresários e das possibilidades que as duas economias podem oferecer.

Mas acredito que esse seja o único caminho para fortalecer a nossa parceria estratégica para o futuro. Estamos trabalhando para criar essa aliança tecnológica.

GR: De transferência de tecnologia da Rússia para o Brasil, por exemplo?

S.A.: E vice-versa. Há oportunidades na áreas da educação, de ciência, de espaço e de aviação.

Acredito que será dado um novo passo nessa direção no próximo encontro entre Dilma Rousseff e Vladímir Pútin.

GR: E como o sr. enxerga o Brics hoje? Acredita que ele deva se fortalecer como um grupo político ou econômico?

S.A.: Diversos cientistas políticos consideram a formação do Brics como um dos fenômenos mais importantes do século 21. Tenho certeza de que o Brics continuará se fortalecendo e ampliando o leque da pauta de discussão.

É muito difícil afirmar que o grupo vai pender para uma união mais econômica ou política. Os interesses dentro são muito amplos e atingem outras áreas, como a científica, a cultural, a militar e de segurança.

O grupo ainda está em um processo de formação, mas o vetor geral do desenvolvimento do Brics está na maior institucionalização do grupo.

Acredito que já estamos jogando um papel importante na arena internacional e na tomada de decisões em diversas áreas.

Na área política, por exemplo, o Brics tomou um decisão em conjunto com relação à questão da Síria durante a última assembleia da ONU (Organização das Nações Unidas). Isso já mostra que a união extrapola a questão econômica.

GR: O conflito na Síria começa a extrapolar as fronteiras. Como o governo russo está lidando com isso?

S.A.: É muito preocupante. Os acontecimentos recentes mostram que o conflito já se internacionalizou. Isso é lamentável porque foram feitos todos os esforços para que não acontecesse.

Para a Rússia, é importante que os sírios resolvam o destino do seu país sem nenhuma interferência de fora. Não se deve permitir que qualquer país membro da comunidade internacional, independentemente de seu tamanho, seja objeto de pressão externa.

Na questão síria, a Rússia está defendendo o direito internacional do povo de um país soberano de resolver seu próprio destino sem interferência externa.

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