Conselho de Coordenação promete fortalecer a oposição

Os 45 lugares no CCO foram disputados por mais de 200 candidatos.Foto: TASS

Os 45 lugares no CCO foram disputados por mais de 200 candidatos.Foto: TASS

Uma semana depois das eleições regionais e municipais de 14 outubro, a oposição elegeu o Conselho de Coordenação da Oposição (CCO). Sua função é elaborar uma ideologia única, coordenar as ações da oposição e representar os interesses dos cidadãos insatisfeitos com os resultados das eleições legislativas de dezembro de 2011.

Figuras carimbadas da oposição como o blogueiro anticorrupção Aleksêi Naválni e o ex-campeão de xadrez Garry Kasparov se uniram a personalidades menos conhecidos como o ex-conselheiro econômico da presidência Andrêi Illarionov e o analista político Andrêi Piontkovski em um novo órgão político constituído por 45 membros da oposição.

A eleição on-line, que foi estendida para três dias na segunda-feira (22) depois de hackers interromperem o sistema de votação durante o final de semana, contou com a participação de 83% das pessoas que haviam sido registradas no sistema e cujas identidades haviam sido verificados.

Os cargos no CCO têm vigência de um ano e, dos 45 escolhidos, 30 são eleitos entre todos os candidatos ao conselho sem distinção ideológica e os 15 restantes, entre as três correntes políticas (esquerdistas, liberais e nacionalistas) com cinco representantes de cada grupo.

“Esse esquema pode parecer confuso e complicado, mas resulta de um  acordo entre as mais diversas forças políticas”, salientam os organizadores da eleição em um comunicado publicado no site oficial do Comitê Eleitoral Central da oposição.

Naválni obteve o maior apoio nas eleições da oposição, com 43.723 dos 81.801 votos, e irá sentar-se no conselho de coordenação com pessoas como a socialite Ksênia Sobtchak; o líder do grupo Solidariedade, Iliá Iachin; a ativista ambiental Evguênia Tchirikova; o líder do Parnas, Boris Nemtsov; os jornalistas Oleg Káchin e Olga Romanova; o líder do Frente de Esquerda, Serguêi Udaltsov; e o recém-expulso deputado da Duma (câmara baixa do parlamento) Guennádi Gudkov e seu filho, Dmítri Gudkov.

Escândalo eleitoral

 

As eleições para o CCO deveriam ser realizadas nos dias 20 e 21 de outubro via internet. Entretanto, o site do Comitê Eleitoral Central foi atacado por hackers no último sábado (20) e saiu do ar. Como resultado, a votação foi prorrogada até a noite desta segunda-feira (21).

As eleições também foram marcadas por um escândalo financeiro. Pelo regulamento, a principal fonte de recursos financeiros para a campanha eleitoral seria constituída pela arrecadação de 10 mil rublos de cada candidato inscrito.

Porém, pouco antes da eleição, alguns dos candidatos acusaram os organizadores de tentativa de golpe financeiro e exigiram seu dinheiro de volta. As denúncias serviram de justificativa para abrir uma ação penal contra os organizadores da votação, que prometeram devolver o dinheiro a todos os que se retiraram do processo eleitoral.

Avaliações adversas

 

O presidente do partido de oposição Rússia Justa, Nikolai Lévitchev, considera essas eleições um mero projeto de rede. “Não entendo por que isso causou tanto barulho. Não faltam iniciativas do gênero na internet”, disse o político citado pela agência “RIA Nóvosti”.

“É claro que essas eleições em si não vão mudar nada”, concorda o analista político do jornal “Kommersant”, Pável Cheremet. “Mas essa é a primeira tentativa de organização empreendida nos últimos anos por diferentes pessoas que desejam mudanças.”

O Kremlin comenta com prudência as perspectivas do CCO. “Por enquanto, não entendemos o que essa estrutura é nem os tipos de pessoas que vão integrá-la”, disse o assessor de imprensa da presidência, Dmítri Peskov, citado pela revista “Kommersant-Vlast”. Segundo ele, o presidente Vladímir Pútin repetiu várias vezes que está disposto a dialogar com todas as forças políticas.

Com os veículos Kommersant, Kommersant-Vlast, RIA Nóvosti, Gazeta.ru e The Moscow Times

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