Cientistas pedem aumento da quarentena para naves que retornam do espaço

Foto: Roskosmos

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Rússia cancelou bilhões de dólares em dívidas africanas e contribuiu com US$ 50 milhões para o fundo do Banco Mundial destinado a países atingidos pela pobreza, anunciou Vladímir Sergueiev, funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas na semana passada.

O experimento científico “Biorisco”, realizado pelo Instituto de Problemas Biomédicos da Academia de Ciências da Rússia a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), alertou para o perigo representado pelos os micro-organismos que retornam de uma missão espacial à Terra.  

Os autores do estudo consideram necessário aumentar o período de quarentena para as espaçonaves que voltam ao planeta, uma vez que os organismos submetidos à experiência não só demonstraram uma surpreendente capacidade de sobrevivência, como também sofreram mutações inesperadas.

A experiência executada pelos cosmonautas Guennádi Padalka e Iúri Malênchenko tinha como objetivo verificar como diferentes formas de vida se comportam no espaço exterior.

Algumas amostras com sementes de plantas, insetos, crustáceos inferiores em estado de anabiose, fungos e bactérias foram fixados à ISS e examinados em diferentes de intervalos de tempo. A primeira análise foi realizada após 13 meses do início do experimento, a segunda, 18 meses, e a terceira e final, 31 meses depois.

“Para sobreviver em condições adversas, eles exerceram seu potencial de adaptação”, disse, em entrevista ao jornal “Izvéstia”, Natália Novikova, chefe do laboratório de microbiologia do meio ambiente do Instituto de Problemas Biomédicos da Academia de Ciências da Rússia, após realizar uma série de experiências no material biológico trazido de volta da órbita.

As sementes de plantas superiores, larvas de mosquito e ovos dos crustáceos inferiores passaram 31 meses no espaço sem apresentar quaisquer mudanças, porém, as bactérias tiveram suas  propriedades alteradas.

A estirpe B.subtilis, por exemplo, começou a se dividir de maneira incomum, apresentando vários septos em vez de um só. Os fungos das espécies de Aspergillus versicolor e Penicillium expansum também apresentaram mudanças drásticas na estrutura de suas células, assim como outras estirpes se tornaram mais resistentes a diversos agentes antimicrobianos.

As mudanças ocorridas e sua imprevisibilidade causaram preocupação aos biólogos. “É óbvio que alguns microorganismos voltarão inalterados de uma missão interplanetária, mas outros podem sofrer transformações. Portanto, é importante saber se essas transformações serão perigosas para os habitantes da Terra”, acrescentou Novikova.

Novos padrões

O perigo advém não tanto das hipotéticas bactérias originárias de outros planetas quanto das bactérias reais originárias da Terra que foram expostas, durante longo tempo, à radiação cósmica e sofreram uma mutação imprevisível. A cientista repetiu que as amostras trazidas de volta de uma missão espacial merecem atenção para que não se propaguem agentes de doenças infecciosas raras.

“Há cada vez mais evidências de que os microorganismos são resistentes ao vácuo, radiação cósmica e baixas temperaturas. Portanto, é óbvia a necessidade de aplicar um regulamento mais rigoroso”, completa o cientista Dmítri Grajdânkin, do Instituto de Geologia de Petróleo e Gás e Geofísica Andrêi Trofimuk.

A experiência realizada a bordo da ISS ajudará, assim, a elaborar esse novos parâmetros para a limpeza das naves espaciais que retornam à Terra de missões espaciais. Paralelamente, os cientistas obtiveram novas evidências de que a vida na Terra pode ter origem extraterrestre, já que a capacidade das bactérias de se adaptar às condições extremas do espaço exterior reforça essa tese.

Publicado originalmente pelo jornal Izvéstia

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