Braskem vai importar nafta da russa Novatek

Novatek é o segundo maior produtor de gás natural na Rússia após a gigante Gazprom. Foto: TASS

Novatek é o segundo maior produtor de gás natural na Rússia após a gigante Gazprom. Foto: TASS

Empresa brasileira Braskem fechou um acordo de compra de nafta com a produtora de gás russa Sociedade Anônima Aberta Novatek, segundo um comunicado publicado no site oficial da empresa russa. Acordo abrirá novos mercados para a Novatek e, paralelamente, suprir demanda brasileira pelo combustível.

A agência especializada “Argus” informou que a Braskem adquire anualmente cerca de 8 milhões de toneladas de nafta para suas usinas petroquímicas no Brasil, EUA e Alemanha. Porém, até recentemente, a empresa brasileira não importava nafta russa da Novatek, de quem consumia apenas o condensado de gás.

“O contrato de nafta com a empresa brasileira proporcionará à Novatek o acesso a novos mercados estrangeiros”, afirma a analista da Investkafe, Iúlia Voitóvitch. Embora o valor do negócio não tenha sido divulgado, a analista estima que o contrato entre a Novatek e a Braskem gire em torno de US$ 870 milhões, com base no preço médio de nafta vigente no primeiro semestre de 2012.

Em contrapartida, a Braskem obterá matéria-prima de qualidade e um parceiro importante do setor energético russo, sobretudo tendo em conta que um dos proprietários da Novatek, Gennádi Tímchenko, é amigo de longa data do presidente russo Vladímir Pútin.

No total, a Braskem irá adquirir até 1 milhão de toneladas de nafta da Novatek em 2013. O combustível diesel e de aviação será produzido no complexo de Ust-Luga, nos arredores de São Petersburgo, cujas obras de construção da primeira fase estão em fase de conclusão.

Num primeiro momento, o complexo terá uma capacidade de 3 milhões de toneladas de condensado de gás por ano, mas com a inauguração da segunda fase, em 2015, empresa russa conseguirá dobrar a quantidade de nafta e combustível exportada. O complexo também ficar responsável pelo processamento do condensado estável de gás originário da fábrica de Púrovski, na península de Iamal.

“O acordo com a Braskem é o segundo maior contrato de exportação fechado pela Novatek e permitirá, entre outras coisas, quebrar o estereótipo de que a Gazprom é a única e exclusiva exportadora de gás russo”, disse, em entrevista à Gazeta Russa, o chefe do setor de análise da Zerich Capital Management, Nikolai Podlévskikh.

Apesar de a Gazprom continuar detendo o monopólio sobre a exportação de gás pelos gasodutos com destino à Europa, os novos mercados estão abertos para receber o gás natural liquefeito e outros derivados de hidrocarbonetos. “Estamos assistindo à consolidação de outra empresa russa no mercado internacional”, acrescentou Podlévskikh.

 

Parceria latina

“O contrato com a empresa brasileira, um dos maiores consumidores mundiais de nafta, permitirá à Novatek fazer e aplicar, de forma mais estável, seus planos de produção”, afirma o primeiro vice-presidente da empresa russa, Mikhail Popov.

“Nesse contexto, a América Latina é um parceiro muito interessante para a Rússia, especialmente face ao aumento da produção de gás nos EUA e ao eventual lançamento no mercado mundial de volumes significativos deste produto”, completa.

Nos primeiros nove meses deste ano, a empresa produziu 42,02 bilhões de metros cúbicos de gás natural (7,7% a mais do que no mesmo período de 2011) e mais de 3 milhões de toneladas de hidrocarbonetos líquidos (2,1 % superior ao ano passado).

O governo russo decidiu aumentar a carga tributária sobre os produtores de gás neste ano. Apesar disso, os analistas do banco Raiffeisen afirmam que a rentabilidade das vendas de gás natural irá aumentar em 2013 porque a alta de 15% no preço do gás natural compensa o aumento do imposto sobre a atividade mineira.

“Além disso, esperamos um crescimento do preço ‘netback’ [que indexa o preço do petróleo bruto aos seus derivados fixando uma margem para o refinador e transferindo o risco da refinação para a produção] de gás para o consumidor final devido a um crescimento mais lento das tarifas do transporte em relação ao aumento dos preços do gás natural”, garantem os analistas do Raiffeisen. 

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