Protagonista de polêmica, líder da oposição pode pegar 10 anos de cadeia

Líder da oposição Serguêi Udaltsov é escoltado de seu apartamento após receber ordem de prisão em Moscou. Foto: Reuters

Líder da oposição Serguêi Udaltsov é escoltado de seu apartamento após receber ordem de prisão em Moscou. Foto: Reuters

Comitê de Investigação da Rússia abriu uma ação penal contra o líder de esquerda Serguêi Udaltsov e outros ativistas da oposição pelo suposto planejamento de distúrbios e ações em massa na capital e em outras cidades russas. Decisão foi tomada após verificar as alegações feitas no polêmico documentário “Anatomia de um Protesto 2” exibido no canal NTV.

Os acontecimentos exibidos no documentário “Anatomia de um Protesto” levaram o Comitê de Investigação da Rússia a abrir um processo criminal contra Serguêi Udaltsov, coordenador da Frente de Esquerda, e os ativistas da oposição Leonid Razvojaev e Konstantin Lébedev.

No filme, os autores do filme apresentam uma gravação vídeo de uma entrevista entre Serguêi Udaltstov e o presidente da comissão de defesa e segurança do parlamento georgiano, Guivi Targamadze, feita com uma câmera escondida. Targamadze teria participado na preparação das “revoluções coloridas” na Geórgia e na Ucrânia e dos distúrbios ocorridos na Bielorrússia.

“Foi apurado que a voz nas cenas gravadas por uma câmera de vídeo de segurança e apresentadas no ‘Anatomia de um Protesto 2’ pertence a Udaltsov”, diz o porta-voz do Comitê de Investigação da Rússia, Vladímir Markin. A entrevista reproduzida no documentário teria acontecido na segunda quinzena de junho de 2012 em uma casa particular em Minsk, capital da Bielorrússia.

Markin acrescentou que os investigadores irão também verificar as informações sobre a eventual implicação dos participantes do encontro nos atentados terroristas perpetrados no território da Rússia. “Se essas informações forem confirmadas, um outro processo criminal poderá ser aberto”, salienta.

Enquadrado nos termos do parágrafo 1 do art. 30 e do parágrafo 1 do art. 212 (preparação de distúrbios em massa), Udaltsov pode pegar uma sentença de até 10 anos.

Logo após a exibição do documentário no início de setembro, o coordenador da Frente de Esquerda disse não acreditar que pudesse se tornar alvo de perseguições por parte da justiça russa, qualificando o filme como uma “falsificação muito desajeitada”.

“Essa é uma consequência lógica da gravação apresentada no documentário. Tive a oportunidade de assistir a esse filme. Os fatos expostos no documentário causam indignação a todas as pessoas normais. A chamada oposição mostrou sua essência.”

Boris Reznik, membro da Comissão de Segurança da Duma de Estado

O porta-voz do Comitê de Investigação, Vladímir Markin, declarou nesta quarta-feira que “aqueles que pensam que é possível organizar impunemente distúrbios ou planejar e preparar atentados terroristas e outras ações voltadas contra a saúde e a vida das pessoas subestimam o profissionalismo dos serviços secretos russos e desconhecem a legislação russa”.

 

Oposição à prova

 

Os investigadores iniciaram as buscas nas casas dos ativistas por volta das 06h30 desta quarta-feira (17). “Eles também estão fazendo buscas nas casas das outros personagens do documentário e dos pais do Serguêi”, disse, em declarações ao “Serviço Russo de Notícias”, a advogada de Udaltsov, Violetta Volkova. Depois da busca, Udaltsov foi levado ao Comitê de Investigação para interrogatório.

Os colegas do líder da Frente de Esquerda estão indignados com as ações dos investigadores. “É completamente ilógico e ilegal que essa gravação seja usada como prova, pois não foi obtida com ordem judicial. Duvido que tudo o que está na gravação tenha acontecido de verdade”, disse, em entrevista à emissora de rádio “Kommersant.FM”, o deputado federal Iliá Ponomarev.

“Não há motivos para abrir ação penal contra Udaltsov. Ele é uma figura muito inconveniente para o governo e, por isso, as autoridades usam qualquer pretexto para impedi-lo de praticar atividades políticas.”

Violetta Volkova, advogada de Udaltsov

A oposição afirma que o documentário foi concebido para dividir o movimento oposicionista e promete apoiar Udaltsov, mas as autoridades avisam que tal posição pode gerar consequências graves.


“Ou os oposicionistas condenam os planos criminosos dos radicalistas e se juntam a nós para exigir a investigação de suas atividades criminosas ou passam para o lado dos criminosos”, disse vice-presidente da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo), Serguêi Jelezniak, em entrevista à rádio “Kommersant.FM”.

Reportagem combinada com materiais dos veículos Serviço Russo de Notícias e Kommersant.FM.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.