Startups russas rumo à Europa

Foto: RIA Nóvosti / Pavel Lysízin

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Às vésperas dos festivais de startups em Viena e Helsinque que acontecerão no final de outubro e início novembro, cresce expectativa de investimento estrangeiros das empresas que integram o centro de inovação Skôlkovo, considerado o Vale do Silício russo.

Os participantes do Pioneers Festival, um dos maiores festivais europeus de startups que acontecerá em Viena, e do Slush Festival, em Helsinque, estão otimistas em relação à prospecção de capital estrangeiro para investimento em suas companhias.

Um exemplo disso é a empresa IndoorGo, criada pela Universidade Federal dos Urais em parceria com o Centro Universitário de Ariel (Israel). A startup desenvolveu um serviço que permite saber a localização do usuário dentro de um espaço fechado por meio de um smartphone e de uma rede sem fio com precisão de dezenas de centímetros.

No futuro, o sistema poderá  ser utilizado para o intercâmbio de informações específicas e coleta de dados estatísticos sobre os visitantes de exposições, museus, supermercados, shopping centers e outros grandes espaços do gênero.

“Nossa empresa elaborou e aplicou na prática um conceito de redes de sensores auto-organizadas. Cada um dos elementos da rede pode ser controlado por controle remoto”, conta Evguêni Smetânin, diretor administrativo de outra empresa da Skôlkovo chamada Toytemic.

Segundo o diretor da companhia, a tecnologia pode ser utilizada para a criação de estações de pesquisa ou geológicas autônomas compostas por robôs em outros planetas ou em circunstâncias em que o ser humano não pode trabalhar.

“Infelizmente, agora, a robótica desse formato se encontra em estado embrionário. Por isso, decidimos aplicar, primeiro, nossas redes em setores mais desenvolvidos, como o de jogos”, diz Smetânin.

Não é à toa que o conceito básico da Toytemic prevê a transferência de jogos de estratégia da realidade virtual para a vida real, como soldados de brinquedo com chips embutidos que podem se comunicar e executar comandos de seu operador. “As perspectivas comerciais desse produto são grandes”, acredita Smetânin.

“É na inovação associada às possibilidades comerciais que reside o verdadeiro significado do centro Skôlkovo”, diz o conselheiro do presidente deste centro para contatos com as startups nacionais, Pekka Viliakainen.

Para ilustrar a situação, o empresário relembra o o exemplo do projeto finlandês Angry Birds. “Convenhamos, se há cinco anos alguém tivesse lhe dito que você poderia ganhar milhões ao inventar um jogo onde pássaros coloridos caçam porcos verdes, você não teria acreditado naquela pessoa. Agora você pode ver que isso é possível”, afirma Viliakainen.

O conselheiro explica que os cidadãos comuns normalmente pensam que só quem ocupa um alto cargo no governo ou em uma grande empresa estatal pode fazer dinheiro, mas a missão do Skôlkovo é mostrar aos russos que não devem ter medo de assumir os riscos e iniciar seu próprio negócio.

“Mesmo na Rússia, a imagem de nossa organização não é melhor do que no exterior. Pergunte a qualquer motorista de táxi o que é Skôlkovo? Ele vai provavelmente responder que é uma estrutura estatal duvidosa”, continua Viliakainen.

O representante da Skôlkovo garante que o financiamento recebido pelo governo é bastante modesto e que o principal ativo do centro são as pessoas envolvidas nele. “Elas estão fazendo o possível para que as empresas ocidentais comecem a encarar as startups russas a sério”, acrescenta. “Acreditamos que, em dois ou três anos, elas serão vistas de forma positiva também na Rússia”, arremata.

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