Eleições representam novo teste de força entre o governo e a oposição

Foto: RIA Nóvosti

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Neste domingo (14), cidadãos de 77 regiões russas comparecem às urnas para escolher seus candidatos a cargos regionais e municipais. O processo representa um teste de resistência não só para os partidos políticos, mas também para todo o sistema eleitoral russo. Moscou e São Petersburgo ficam de fora desta vez.

As eleições regionais na Rússia são sempre motivo para discussões entre analistas políticos sobre a nova relação de forças no cenário político russo. Mas dessa vez o processo eleitoral irá testar não só os candidatos e partidos, mas todo o sistema eleitoral russo.

O abrandamento da lei para registro de novos partidos resultou no aumento drástico de personagens na cena política. Dados oficiais apontam que, pelo menos, quarenta partidos políticos das mais diversas tendências ideológicas estão disputando as eleições regionais e municipais.

A principal intriga, entretanto, continua girando em torno de quem irá vencer na maioria das localidades, isto é, o partido governista Rússia Unida ou a oposição.

Khímki 

 

As eleições para prefeito na cidade de Khímki, nos arredores de Moscou, dificilmente chamariam tanta atenção se não fossem três fatores.

Em primeiro lugar, Khímki é um dos mais ricos e populosos núcleos urbanos da região de Moscou. Além disso, o governo local anterior transformou a cidade em um palco de escândalos dos quais o mais marcante foi o projeto de construção de uma estrada de alta velocidade Moscou-São Petersburgo que previa a destruição de um parque florestal. Por fim, vale considerar os atuais candidatos à prefeitura.

O desejo de concorrer ao cargo foi expresso por 26 pessoas, incluindo figuras apolíticas como o músico de rock Serguêi Troítski, também conhecido como Aranha. No entanto, a principal disputa se estrutura em torno de três personagens centrais: o atual prefeito Oleg Chákhov e os  ambientalistas Oleg Mitvol e Evguênia Tchirikova.

“Oleg Chákhov é apoiado pelo Rússia Unida, embora esteja concorrendo à prefeitura sem afiliação a qualquer partido. Se a situação continuar se  desenvolvendo de forma estável, o eleitorado do Rússia Unida e a máquina administrativa devem dar a vitória a Chákhov”, afirma o analista político Pável Sviatenkov.

As previsões de Sviatenkov são confirmadas pelos resultados das pesquisas de opinião pública, segundo os quais ele é o favorito nas intenções de voto. As sondagens realizadas recentemente pelo Centro de Estudos de Opinião Pública apontam Oleg Chákhov com 41%  votos, Oleg Mitvol com 18% para e Evguênia Tchirikova com 16%.

Kaliningrado

As eleições em Kaliningrado despertam grande interesse nos observadores políticos porque essa região da Rússia é constantemente afetada por movimentos oposicionistas. Somado a isso, o futuro  prefeito da cidade terá de lidar com investimentos de bilhões de dólares relacionados com a preparação para a Copa do Mundo de 2018.

O cargo está sendo disputado por dois candidatos, Aleksandr Iarochuk, indicado pelo partido governista Rússia Unida, e o comunista Iúri Galânin, candidato apoiado pela oposição de esquerda.

Os especialistas locais evitam fazer previsões sobre os resultados das eleições, lembrando-se dos resultados das legislativas de dezembro de 2011 em que o Rússia Unida obteve na região apenas 25% dos votos (um dos piores resultados do país) e os comunistas, 31%.

Uma vez que Iúri Galânin saiu como candidato do consenso entre os comunistas e do partido Rússia Justa, suas chances são grandes, embora vários especialistas duvidem de sua vitória.

“Nenhum dos integrantes da oposição apresentou um programa relevante para a cidade nem conseguiu se distanciar dos rótulos ideológicos de seus partidos, disse afirma o deputado da Assembleia Legislativa local e um dos organizadores de ações de protesto em massa em Kaliningrado, Solomon Guinzburg. Segundo ele, Iarochuk está, de fato, disputando o cargo de prefeito consigo mesmo.

“Os moradores da cidade não se entusiasmam com os candidatos do partido governista, mas não veem outra alternativa”, complementa o estrategista político Konstantin Kalachev.

Níjni Taguil

 

Em Níjni Taguil fica a fábrica Uralvagonzavod, conhecida não só por produzir carros de combate de quase todas as marcas russas, mas também por sua lealdade ao presidente Pútin.

Durante os protestos da oposição na praça Bolotnáia, em Moscou, no inverno passado, um grupo de operários da fábrica chefiado pelo engenheiro Ígor Kholmânski se ofereceu para chegar a Moscou e ajudar a dispersar as manifestações da oposição.

As próximas eleições em Nínji Taguil devem mostrar se seus moradores compartilham a posição de Ígor Kholmânski e de seus companheiros. A briga principal será entre Serguêi Nosov, aspirante ao cargo pelo Rússia Unida, e Andrêi Murinóvitch, candidato da oposição.

Os analistas políticos preveem a vitória do candidato do partido governista. No entanto, o delegado regional das eleições, Valéri Chainikov, resguarda dúvidas. “Essas eleições serão disputadas por 12 partidos políticos. Só poderei dizer o resultado obtido por cada partido no dia 15 de outubro”, disse Chainikov em um encontro recente com jornalistas. 

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