Combate à corrupção ganha aplicativo para iPhone

Luta contra corrupção ganhou reforço on-line na Rússia

Luta contra corrupção ganhou reforço on-line na Rússia

Na semana passada, um grupo de jovens empreendedores russos lançaram o Bribr, o primeiro aplicativo para iPhone que permite aos usuários enviar um relatório anônimo sobre subornos e, com essa informação, criar um mapa nacional da corrupção.

Os criadores do aplicativo Bribr, liderados por Evguênia Kuida, 25, ex-editora da revista cultural Aficha, têm expectativa de que o instrumento ajude a aumentar a consciência sobre a corrupção e estimular a mudança de comportamento.

“Ao ver por aí que o suborno é uma atitude ruim, talvez lá no fundo da consciência sua atitude em relação à propina mude, pelo menos um pouco”, disse Kuida por telefone no início desta semana.

O programa rapidamente ganhou apoio dos principais líderes da oposição, incluindo a apresentadora de televisão Ksênia Sobtchak e o blogueiro anticorrupção Aleksêi Naválni, que se referiu ao aplicativo como “legal” em sua página no Twitter.

O Bribr recebeu 7 mil downloads nos dois primeiros dias, segundo Kuida, e até terça-feira (9) já haviam sido denunciados cerca de US$ 45 mil em subornos.

Para fazer a denúncia pelo aplicativo, basta apenas um minuto. Os usuários indicam quanto foi pago, para quem, por qual motivo e onde.

É possível escolher entre uma lista de funcionários públicos, de inspetores sanitários a gestores de universidades. Na sequência, o usuário encontra relação lista de “motivos” específica para a profissão selecionada.

Policiais e investigadores, por exemplo, podem cobrar propina por licenças e documentos, e para fechar ou abrir um caso criminal, entre outras opções.

O aplicativo é gratuito e, por enquanto, só funciona em território russo.

Próximo passo

O chamado “crowdsourcing” (fonte de informações oriundas de diversas pessoas) tem sido uma ferramenta anticorrupção extremamente popular na Índia e em outros países em desenvolvimento. Porém, nunca deu muito certo na Rússia, onde vários sites com o mesmo princípio do Bribr surgiram e desapareceram ao longo dos últimos tempos.

Para não repetir o fracasso de seus antecessores, Elena Panfilova, da ONG Transparência Internacional, acredita que o Bribr deve fazer mais do que simplesmente coletar dados.

“As pessoas que denunciam pertencem a duas categorias. Alguns fazem por mera diversão, enquanto outros, a maioria, querem ver resultados”, afirma.

Se os usuários não verem aqueles que recebem o suborno – e, em alguns casos, também os que concedem – serem punidos, eles se sentirão desestimulados a tomar qualquer iniciativa contra a corrupção, acredita Panfilova.

“A conscientização pública nem sempre é suficiente”, acrescenta. “As pessoas querem ver o próximo passo, isto é, justiça.”

A equipe de mais de 20 voluntários do Bribr está trabalhando duro para estimular as denúncias, incluindo um novo recurso que dá possibilidade dos usuários contarem suas histórias em detalhes.

“É relativamente fácil mudar a mentalidade das pessoas. A reação à propina precisa ser incisiva. Quando alguém concorda com o suborno, então deve escutar: ‘Está louco? O que você pensa que está fazendo?’”, disse Kuida.

A Rússia ocupou a 143ª dos 183 países analisados no ranking de corrupção da Transparência Internacional em 2011.

O grupo de reflexão Informação para Democracia (INDEM) estima que a corrupção custe anualmente ao país entre US$ 300 bilhões e US$ 500 bilhões, uma parcela significativa do PIB de US$ 1,5 trilhões da Rússia.

Originalmente publicado pelo The Moscow Times

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