Governo pode abolir lei que proíbe contratação de pilotos estrangeiros

Foto: PhotoXpress

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Pilotos estrangeiros poderão receber permissão para trabalhar em companhias aéreas russas. Medida visa resolver o problema da escassez de profissionais e recuperar o setor de aviação civil no país.

O ministro do Transporte, Maksim Sokolov, demonstrou apoio à ideia, afirmando que o país necessita de, pelo menos, mil pilotos novos.

Se a lei que proíbe a contratação de pilotos estrangeiros for extinta, os passageiros também poderão sentir a diferença, já que os salários da tripulação compõem parte significativa das tarifas aéreas, segundo uma fonte não identificada que trabalha em uma companhia russa.

Contratar pilotos estrangeiros é proibido pelo Artigo 56 do Código Aéreo, motivo pelo qual alguns especialistas justificam o atual déficit de profissionais.

“Maior financiamento estatal para treinamento de pilotos não poderá conter o problema da falta de profissionais”, disse Sokolov ao jornal Vedemosti.

“E como resultado de qualquer déficit, os preços de monopólio tendem a subir. Nesse caso, estou falando sobre os salários dos pilotos”, continuou o ministro.

A escassez de pilotos já afetou a segurança aérea na Rússia, onde a maioria dos acidentes envolvendo aviões em 2011 foram causados por falhas da equipe de tripulação. “Pilotos sobrecarregados ficam excessivamente cansados”, declarou ao jornal o representante de uma companhia aérea.

Em 1997, havia 67 mil pilotos para 20 milhões de passageiros na Rússia. Em 2011, 64 milhões de passageiros na Rússia foram conduzidos por 12 mil pilotos.

Pacotes vantajosos

 

Os pacotes para pilotos na Rússia se tornaram muito mais lucrativos do que os benefícios oferecidos em países na Comunidade dos Países Independentes (CEI) e até mesmo na União Europeia, onde, em alguns países, milhares de profissionais capacitados estão tendo problema para achar um emprego.

Os pilotos da companhia aérea russa Aeroflot recebem 70 dias de férias remuneradas por ano, enquanto as companhias europeias pagam somente por 20 a 30 dias, segundo Vitáli Saveliev, diretor-geral da companhia russa. “A quantidade de horas que os pilotos voam também é consideravelmente menor na Rússia”, acrescenta.

Os pilotos da CEI que falam russo parecem ser os candidatos mais favoráveis para as possíveis novas vagas na Rússia, de acordo com os gestores das empresas russas.

Receio de concorrência

 

Os pilotos russos, contudo, têm dúvidas de que um pacote generoso possa ser suficiente para atrair seus colegas estrangeiros.

Ígor Deldiujev, presidente da União de Tripulantes de Cheremetievo, que protege os interesses dos pilotos da Aeroflot, disse que as maiorias companhias áreas da Rússia também são culpadas pela escassez de funcionários.

Dezenas de pilotos da Aeroflot pediram demissão depois da companhia ter estabelecido novos padrões, segundo os quais voos de longa distância podem ser operados por dois pilotos. Antes era obrigatória a presença de três pilotos para realizar esses trechos.

“Não temos medo da concorrência”, disse Deldiujev ao jornal Vedomosti. “Mas essa proposta é contra o Estado. Precisamos treinar nossos próprios pilotos, aumentar o recrutamento”, acrescentou.

Pilotos militares também poderiam passar por um novo treinamento para receber as qualificações necessárias para aviões comerciais. Segundo o especialista, recrutar pilotos estrangeiros poderia abrandar o controle sobre a qualidade do treinamento e até mesmo provocar o encerramento de escolas para pilotos na Rússia.  

Originalmente publicado no The Moscow News

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