O avanço nos estudos do Sol

Ativação do Sol. Foto: NASA

Ativação do Sol. Foto: NASA

Mudanças climáticas na Terra se devem, em grande parte, ao Sol. Por isso, esta década pode se traduzir em novas tragédias para o planeta. Rússia e EUA pretendem acelerar os trabalhos de estudo do clima no espaço e das relações entre o Sol e a Terra.

O projeto russo “Interguelio-Zond”, criado por cientistas do Instituto de Pesquisas Espaciais (IPE) da Academia de Ciências da Rússia, encontra-se em desenvolvimento. 

O equipamento, cujo lançamento está planejado para 2018, vai permitir que os cientistas se aproximem bastante do Sol, a uma distância jamais alcançada. 

Fatos e números

1. Em setembro de 2009, o Goes, sistema meteorológico norte-americano por satélite, revelou uma ativação do Sol no diapasão de Röntgen, e os astrônomos identificaram duas regiões brilhantes. Apareceram manchas quase simultaneamente e bem distantes uma da outra, o que comprovou o caráter global das alterações ocorridas na atividade do Sol.

 

2. A Terra é envolvida por duas camadas do Cinturão de Van Allen. A primeira começa a 1.600 km da superfície do planeta e estende-se até uma altitude de quase 13.000 km. A outra começa acima dos 15.000 km e eleva-se pelo espaço até 24.000 km. Os períodos de ativação do Sol provocam a ampliação dessas camadas e, por isso, elas se aproximam da superfície da Terra, ficando a uma distância de apenas 207 km, o que representa uma ameaça para a Estação Espacial Internacional e para os satélites.

Para lançar o aparelho a um ponto próximo do Sol, está planejada a realização de uma manobra gravitacional em Vênus e a colocação inicial numa órbita com periélio da ordem de 42 milhões de quilômetros. 

Por meio de manobras gravitacionais subsequentes, o periélio poderá ser reduzido para até 21 milhões de quilômetros. Assim, pretende-se rastrear detalhes específicos da superfície do astro por um tempo mais longo, que pode alcançar até uma semana.

É possível também um lançamento ainda mais distante. A altitude mínima será limitada apenas pela evaporação da tela protetora sob a ação da radiação solar, cujo resultado é o surgimento de uma ‘atmosfera’ própria no aparelho, prejudicando a pureza das medições.


Já o Instituto de Pesquisas Espaciais, junto ao Izmiran (Instituto de Magnetismo Terrestre, Ionosfera e Disseminação de Ondas de Rádio), está montando um sistema de monitoramento do vento solar que deve permitir prognósticos altamente confiáveis das tempestades magnéticas até 1,5 a 2 horas antes de seu início na Terra.

O principal elemento será o microssatélite “Tchibis”, segundo informou o diretor do Izmiran, Vladímir Kuznetsov. 

O primeiro “Tchibis”, com massa de 40 quilos, foi lançado na órbita circular próxima da Terra em 25 de janeiro deste ano, a uma altitude de aproximadamente 480 km, a partir da Estação Espacial Internacional.

Cooperação internacional

Há ainda planos de coordenação das iniciativas espaciais russas com o programa norte-americano “Living with a star”. 

O objetivo desse programa, cujo primeiro aparelho foi lançado pela agência espacial norte-americana Nasa no dia 23 de agosto, é o estudo detalhado do Cinturão de Van Allen, que envolve a Terra e é formado de anéis de partículas altamente energéticas.

O cinturão de Van Allen, uma das primeiras descobertas dos norte-americanos no século espacial, encontra-se sob influência da atividade solar e do clima espacial gerado pelo Sol. 

Durante os voos, pilotos e astronautas podem ficar expostos a níveis perigosos de radiação no período de atividade das tempestades. O cinturão também pode prejudicar o trabalho de satélites e sistemas de comunicação.

“Por enquanto, não sabemos como se comporta esse cinturão, apesar de já terem se passado 50 anos desde a sua descoberta e descrição”, diz Lika Gukhatakurta, cientista do programa da Nasa. 

“Nós também não temos condições de fazer nenhum tipo de prognóstico, embora isso seja muito importante”, completa.

Há 440 anos, quando foram inventados aparelhos de medição, ficou claro que o sol afetava significativamente tudo o que acontece na Terra. 

A atividade solar, expressa em ondas de radiação, tempestades magnéticas e explosões de fogo, pode ter diversas intensidades, variando desde “temporais” pouco perceptíveis até outros muito fortes.

Hoje, dependemos tanto de aparelhos radioelétricos que a atividade solar de grande intensidade pode desorientar o funcionamento de sistemas que garantem a vida ao redor do mundo.

O continente americano é mais vulnerável a “ataques” solares potentes por causa de sua proximidade em relação ao polo norte magnético da Terra. 

De acordo com pesquisas da empresa MetaTech, se houver hoje um choque como o de 1859, toda a rede elétrica da América do Norte será desligada e os trabalhos de retomada do fornecimento só serão concluídos em algumas semanas ou meses.

Mau tempo espacial

O mau tempo no espaço prejudica também o funcionamento de todos os sistemas orbitais. De acordo com dados do Departamento de Defesa dos EUA, os gastos com a recuperação de satélites danificados pelo Sol giram em torno de US$100 milhões de dólares ao ano. 

De 1996 a 2005, as companhias de seguros de satélites pagaram cerca de US$2 bilhões pela cobertura de perdas e danos de aparelhos espaciais devido à atividade solar.

Fortes tempestades solares levam a intermitências no funcionamento dos sistemas de navegação espacial. Os erros de medições de coordenadas podem variar até 50 metros ou mais, o que torna o satélite impróprio para uso. 

Foi verificada uma perda grave de precisão do sistema Navstar-GPS durante a tempestade solar de 23 de outubro de 2003.

 

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