Sindicatos reivindicam novo rumo para política social

Projeto de reforma da previdência e mudanças na legislação trabalhista são motivos de protesto neste domingo. Foto: TASS

Projeto de reforma da previdência e mudanças na legislação trabalhista são motivos de protesto neste domingo. Foto: TASS

Dentre as principais críticas relacionadas à política social do atual governo estão o projeto de reforma da previdência e as mudanças na legislação trabalhista. O primeiro protesto organizado pelos sindicatos está previsto para esta domingo (7) em Moscou.

A Confederação dos Trabalhadores da Rússia (CTR), composta por mais de 20 organizações sindicais do país, planeja levar seus seguidores às ruas da capital russa para exigir a mudança de rumo da política social do governo.

Mudanças previstas

O projeto de reforma do sistema de aposentadorias contestado pela CTR prevê a redução do percentual destinado à pensão de 6 para 2%, o aumento das contribuições previdenciárias nas indústrias insalubres e o vínculo da quantia ao tempo de serviço. Segundo os especialistas, o último item significa, na prática, o aumento da idade de aposentadoria, porque a pensão máxima só poderá ser solicitado quando o trabalhador tiver entre 60 a 65 anos. O projeto de reforma do Código Trabalhista prevê o aumento da carga horária semanal para 60 horas e uma série de medidas que facilitam ao empregador a demissão de funcionários e permitem alterar o contrato de trabalho durante as crises.

A iniciativa surgiu diante do anúncio de reformas no sistema de aposentadorias e na legislação trabalhista e da proposta de alterar a remuneração no setor público.

Segundo informações do jornal RBC Daily, os primeiros protestos do grupo deste domingo (7) tem o objetivo de impedir o “desmantelamento das últimas garantias sociais dos cidadãos russos”.

“Queremos nos expressar contra as tentativas de endurecer a política social e de rever a legislação trabalhista”, dizem fontes do comitê executivo da CTR.

O líder da CTR, Boris Krávtchenko, já avisou que, se os sindicatos não forem ouvidos, eles irão exigir a renúncia dos ministros responsáveis pela esfera social. 

O diretor-geral da Agência de Comunicações Políticas e Econômicas, Dmítri Orlov, acredita que, “se os sindicatos alternativos não irritarem o governo com seus ultimatos, terão a chance de ser convidados para um diálogo sobre os problemas que os preocupam”.

Confederação dos Trabalhadores da Rússia

Trata-se de uma associação nacional de sindicatos independentes que se posiciona como alternativa à Federação Independente dos Sindicatos da Rússia (FISR), a principal associação sindical da Rússia. É atualmente composta por mais de 20 organizações sindicais dos mais diversos setores. Segundo os líderes da CTR, a principal diferença entre eles e a FISR é que a CTR foi criada e continua sendo controlada pelos próprios trabalhadores. 

A mesma opinião é compartilhada pelo editor-chefe do portal Liberty.ru, Viatcheslav Danílov. Ele sugere que o governo não levará a sério os protestos da CTR e, portanto, seria melhor que os sindicatos usassem mecanismos como a Câmara Pública e o Conselho de Direitos Humanos.

“O governo tem medo de comoções sociais e isso dá munição aos sindicatos”, rebate o ativista da oposição e um dos líderes da CTR, Oleg Chein.

Os organizadores do protesto descreveram o fato das primeiras ações de protesto serem realizadas no dia do aniversário de Pútin como “mera coincidência”. “No dia 7 de outubro, protestos sindicais serão realizadas no mundo inteiro”, esclarece um dos líderes da CTR, Aleksêi Etmânov.

Os manifestantes também avisaram que as próximas ações serão coordenadas com os movimentos que se opõem à alta das tarifas dos serviços urbanos, além de contar com os integrantes da “Marcha dos Milhões” e outras organizações civis.

Reportagem combinada com materiais dos veículos RBC Daily, RIA Nóvosti e Lenta.ru

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