Brics juntos na questão síria

67ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Foto: AP

67ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Foto: AP

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguêi Lavrov, realizou vários encontros com seus homólogos latino-americanos durante a 67ª sessão da Assembleia Geral da ONU em Nova York, na semana passada. Países emergentes do Brics salientaram a necessidade do cessar-fogo e de promover negociação com apoio da comunidade internacional.

No âmbito da Assembleia, os ministros das Relações Exteriores do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África  do Sul) realizaram um almoço de trabalho, onde reiteraram sua disponibilidade para apoiar, na base da reciprocidade, as iniciativas avançadas por seus respectivos países na atual sessão da ONU.

Serguêi Lavrov disse à Gazeta Russa que o tema principal da reunião dos Brics girou em torno da questão síria, uma vez que os países emergentes se mostraram preocupados com a escalada da violência e o aumento das violações dos direitos humanos no país.

Além de reafirmar o apoio aos esforços do novo enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, e sua fidelidade ao comunicado do Grupo de Ação, os Brics aprovaram uma declaração conjunta, salientando a necessidade do cessar-fogo e de promover uma negociação entre as partes com o apoio da comunidade internacional.

No encontro bilateral Brasil- Rússia, também realizado paralelamente à Assembleia, Lavrov e o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, manifestaram mais uma vez o desejo de reforçar a parceria estratégica entre ambos os países.

Parceria promissora

A Rússia e os países latino-americanos assumem posições próximas em relação às principais questões da agenda política internacional, entre as quais a importância do direito internacional, o reforço dos mecanismos multilaterais de solução de problemas, o papel central da ONU e a busca de soluções coletivas para os desafios da atualidade.

Por esse motivo, Serguêi Lavrov encontrou-se também com a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) durante o evento em Nova York. Além do chanceler chileno Alfredo Moreno Charme, estiveram presentes o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, e o ministro cubano, Bruno Rodríguez Parrilla.

Os ministros concordaram em manter um diálogo regular e analisar a possibilidade da realização de uma cúpula Rússia-Celac. Segundo os governantes, o  desenvolvimento das relações nesse formato permitiria reforçar a cooperação econômica, comercial, científica e tecnológica, assim como ampliar os contatos na área de investimentos, educação e entidades civis.

A atenção especial dispensada pela Rússia a seus homólogos da América Latina é um indício de que, atenta à multipolaridade na nova ordem mundial, a política russa em relação aos latino-americanos tende a ser tornar cada vez mais ativa. 

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