Governo retoma sistema de espionagem por satélite

Satélite “Lotos-S”. Ilustração: Divulgação

Satélite “Lotos-S”. Ilustração: Divulgação

Sistema avançado de espionagem por satélite montado no espaço pela agência espacial russa Roscosmos e pelo Ministério da Defesa russo, “Liana”, será concluído até 2015. Posicionados a cerca de mil quilômetros de altitude da superfície do planeta, os quatro satélites do sistema serão capazes de vasculhar o espaço terrestre, aéreo e marítimo.

Após a conclusão dos trabalhos, quatro satélites “Liana”, dois “Pion” e dois “Lotos”, vão mostrar objetos inimigos em tempo real. As coordenadas desses alvos serão transmitidas ao ponto de comando, formando instantaneamente um mapa virtual.

O anúncio da conclusão do sistema acaba com um período de estagnação nessa área.

O  desenvolvimento do aparato teve início no começo da década de 1990, mas, por insuficiência de verbas, o primeiro satélite “Lotos-S” só foi lançado em novembro de 2009.

Por apresentar uma série de falhas, os prazos do programa de lançamento em órbita dos satélites restantes foram mais uma vez postergados.

Um funcionário envolvido no desenvolvimento do “Lotos” garantiu ao jornal Izvéstia que “os programadores refizeram completamente o complexo de programação”, explicando que todas as falhas estavam relacionadas  ao mau funcionamento do programa de abastecimento do aparelho.

“Agora não há mais queixas entre os militares”, disse o interlocutor.

De acordo com o projeto, mais dois satélites para o sistema “Liana” serão colocados em órbita até o final de 2013.

Um deles é o ‘Lotos-S’ 14F145, que interceptará transmissões de dados, inclusive conversas do inimigo, e o outro, “Pion-NKS” 14F139, será de capaz de localizar objetos do tamanho de um automóvel de passeio em qualquer superfície.

Até 2015, será incluído mais um “Pion” no “Liana”, ampliando o quadro do sistema para quatro satélites.

Quando estiver funcionando em plena potência, o “Liana” substituirá completamente o ultrapassado sistema “Leguienda”, montado ainda na época soviética e inutilizado desde 2008.

O comentarista da revista “Notícias da Cosmonáutica”, Ígor Lissov, acredita que o “Liana” supera em algumas vezes a capacidade das Forças Armadas da Federação Russa em termos de localização e interdição de objetos do inimigo.

“Depois do encerramento das atividades do ‘Leguienda’, o Ministério da Defesa russo passou a ter grande necessidade de recursos de observação e identificação de alvos. Agora o ‘Liana’ pode satisfazer essa necessidade”

O “Leguienda” foi criado simplesmente para rastrear navios de guerra norte-americanos, principalmente porta-aviões, e seus radares só conseguiam detectar alvos a algumas dezenas de metros. “Já o ‘Liana’ realiza tarefas mais amplas e pode localizar alvos de pequenas dimensões”, explica Ígor Lissov.

O sistema norte-americano de espionagem, que funciona de forma análoga, é composto por cerca de cem satélites KH-11 e KH-12 e encontra-se em órbita há aproximadamente 20 anos.

Originalmente publicado no jornalIzvéstia

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