Quase 36 mil emigrantes voltaram à Rússia em 2012

Representante da presidência para a cooperação com organizações de comunidades russas no exterior, Aleksandr Babakov.Foto: wikimedia.org / A.Savin

Representante da presidência para a cooperação com organizações de comunidades russas no exterior, Aleksandr Babakov.Foto: wikimedia.org / A.Savin

Além de auxílio aos russos que querem retornar ao país, governo prevê o aumento da cooperação com expatriados em projetos econômicos.

Com a intenção de prestar apoio aos russos radicados no exterior que gostariam de voltar ao país, o governo aprovou, em 2006, um programa federal voltado aos expatriados. Desde então, mais de 98 mil russos voltaram do exterior para viver permanentemente na Rússia.

Para entender como vivem os russos no exterior e quais são as principais dificuldades enfrentadas durante esse processo, a Gazeta Russa conversou com o deputado federal e representante da presidência para a cooperação com organizações de comunidades russas no exterior, Aleksandr Babakov.

O encontro aconteceu às vésperas do 1° Fórum Econômico das Comunidades Russas, previsto para os dias 1 e 2 de outubro.

Gazeta Russa:Qual a necessidade de realizar esse evento agora?

Aleksandr Babakov: O Fórum Econômico é organizado pelo governo de Moscou com objetivo de impulsionar a cooperação entre os empresários russos residentes na Rússia e aqueles que moram no exterior e analisar as possibilidades de promover os interesses econômicos nacionais em outros países. Atrair os residentes no exterior para a participação de projetos econômicos na Rússia é um aspecto prioritário e cada vez mais importante da política voltada às comunidades russas no exterior.

GR:Em 2006, foi aprovado um programa federal de assistência ao retorno voluntário de russos radicados no exterior. O documento teve efeito prático?

A.B.: Durante a implantação desse programa, mais de 98 mil russos voltaram do exterior para viver permanentemente na Rússia. Neste ano, foram cerca de 38 mil. O maior número de interessados em se beneficiar do programa de retorno é registrado nas ex-repúblicas soviéticas. O interesse também é grande entre os russos residentes na Europa, Israel, Estados Unidos e Bolívia.

GR:Quais são as diferenças da nova versão do programa assinada em 14 de setembro pelo presidente russo Vladímir Pútin?

A.B.: Em primeiro lugar, o novo programa não tem prazo fixo [a versão atual vai durar até o final de 2012] e apresenta uma lista mais ampla de beneficiários. Pelo novo documento, não só os expatriados contratados por organizações russas terão vantagens, mas também os universitários russos em institutos no exterior e os cidadãos estrangeiros de origem russa envolvidos em negócios de investimento e agricultura em território nacional.

Depois de receber o respectivo certificado, o titular não pode permanecer na condição de beneficiário por mais de três anos. Em geral, a versão atual do programa de assistência amplia as possibilidades de um retorno digno à Rússia.

GR:Os países latino-americanos não reconhecem diplomas russos e vice-versa. O que está sendo feito para resolver esse problema?

A.B.: Essas questões são da competência dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Educação da Rússia e constituem objeto de negociações bilaterais entre a Rússia e os países interessados. Esse problema existe e está sendo encaminhado pelos órgãos competentes.

De minha parte, gostaria de acrescentar que, como representante da presidência, estou disposto a usar minhas atribuições, inclusive como deputado da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo), para prestar assistência à solução das questões importantes dos russos no exterior; entre elas, a equivalência de diplomas. 

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