São Petersburgo dos rebeldes e dos beatos

Foto: divulgação

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As lendas de São Petersburgo são tantas que a Gazeta Russa decidiu investigar a fundo também as histórias menos conhecidas. Confira alguns dos lugares mais inusitados da capital cultural russa.

Centro underground

 

Fotos: Maria Degtiariova

A rua Pushkinskaya, número 10, foi, durante a perestroika, sinônimo de liberdade. Nesse lugar ficava o espaço underground mais popular e radical de São Petersburgo. 

Em 1989, o edifício de 300 apartamentos foi ocupado ilegalmente por grandes artistas quando os residentes foram desalojados para reforma do prédio.

Apesar de as autoridades tentarem livrar o prédio da comunidade artística invasora, não houve muito sucesso, e foi preciso ceder legalmente o terceiro andar para os ocupantes.

Mais tarde, o espaço tornou-se um centro artístico. "Realizamos exposições de arte contemporânea e concertos de música de diferentes tipos", explica a curadora do centro, Anastassia Patsêi.

Na entrada pode-se ver uma bandeira simbolista: o fundo vermelho representa o regime totalitário e círculos brancos retratam indivíduos livres e unidos.

"Os artistas vivem e trabalham nesse mesmo espaço", conta Anastassia. Na escadaria, é possível ver fotos da história do movimento dissidente na Rússia.

Nikolai Vássin, um ceramista, filósofo e, provavelmente, o maior fã dos Beatles na Rússia,  vive e trabalha nesse edifício desde o início de sua história. 

Muito visitado por turistas, seu escritório é repleto de objetos com símbolos do grupo. Graças a Vássin, uma rua da cidade foi batizada com o nome de John Lennon. É a rua mais curta de São Petersburgo. 

"Levei uma escada, pendurei o cartaz, e é isso. Antes disso, fui para a comissão de topônimos e disse: nossa cidade precisa de uma rua de John Lennon", conta Nikolai. 

Como as autoridades não responderam seu pedido, o nome da rua não é oficial.

Visita à Santa Padroeira

Fotos: Maria Degtiariova

Em frente a uma pequena capela de São Petersburgo há uma fila com centenas de pessoas. Durante o final de semana é preciso esperar mais de dez horas ali para adentrar o templo e venerar as relíquias da santa padroeira da cidade: Santa Ksênia de São Petersburgo.

A padroeira viveu na cidade no século 18, e ficou viúva quando tinha apenas 26 anos. A padroeira distribuiu todos os seus bens aos pobres, vestiu as roupas do marido e começou a peregrinar, respondendo apenas pelo nome do falecido e informando a todos que Ksênia morrera.

Santa Ksênia caminhava por São Petersburgo ajudando as pessoas, esmolando e distribuindo suas poucas moedas  aos pobres. Os habitantes da cidade diziam que Ksênia tinha o poder de curar crianças. Se ela entrava em uma casa, seus moradores ficavam em paz e harmonia.

Aos 72 anos, a padroeira morreu e foi enterrada no cemitério Smolénskoie. Seu túmulo precisou ser coberto mais de uma vez, porque os peterburguenses pegavam punhados da terra que o resguardava e levavam embora, acreditando ser essa sagrada, capaz de afastar doenças e trazer sorte. Então era necessário trazer mais terra para cobri-lo novamente.

No século 19, uma capela foi construída em sua homenagem. Ela recebe milhares de visitantes todos os dias.

 

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